segunda-feira, outubro 22, 2007

Tudo na mesma

Uma semana se passou desde a última postagem. As coisas particulares andam meio complicadas: monografia, bandas, trabalhos....
Pois eis que me volto novamente para o mundo e vejo tudo na mesma. Notícia do Estadão de hoje: “Desmatamento avança no norte de MT”. O pessoal anda substituindo a Floresta Amazônica por pasto para o gado. Ai o nosso Governo Federal, na sua ânsia incontrolável de voltar ao século XVI, anuncia que vai “permitir o plantio de cana-de-açúcar em áreas de pastagem degradada da Amazônia”.
O que me leva a outra reflexão. O Brasil já foi Terceiro Mundo, Subdesenvolvido, Em Desenvolvimento, Emergente, até País do Futuro já fomos, e alguma coisa mudou?
Aqui no Estado a governadora aumenta impostos. Nada de novo no front. O povo paga a conta e os grandes empresários seguem sonegando. Não é invenção minha, são os próprios fiscais do tesouro que dizem.
O Centro de Porto Alegre virou praça de guerra entre camelôs, fiscais da Smic e polícia. Eles querem que os pobres morram de fome ou que apodreçam nas prisões. Ou o cara vira camelô, ou funcionário do tráfico. Na favela (que nosso eufemismo permite que chamemos de “vila”) a gurizada não tem escolha. Até porque eles querem comprar um tênis Nike igual ao dos atores de Malhação.

Pois bem, frente a esse quadro, chego à conclusão de que não adianta nada ficar gastando meu tempo tentando desvendar essas obviedades. Durante a semana este blog vai passar por uma reestruturação, inclusive de conteúdo. Aguardem.

segunda-feira, outubro 15, 2007

ZMentira e a Firma

Será que o pessoal da Zero Hora anda lendo esse blog? Uma super “reportagem”, em quatro capítulos, sobre a Firma, tantas vezes mencionada aqui. É a melhor prova de que a ZMentira (como diria o professor WU) é feita por e para o pessoal dos carros importados.
O texto de ZMentira deve ser lido ao contrário. Ninguém precisa ter medo de traficantes, temos que ficar preocupados é com a polícia. Como diria o garçom Jorge, que circula pelo Gasômetro e Beira Rio com seu isopor de cerveja: “eu saio da vila para ser assaltado aqui no Centro. E quem me rouba é justamente que deveria me proteger”.
Quem financia o tráfico não é a galera que fuma um, é a alta burguesia viciada em cocaína e que hipocritamente banca a política proibicionista. Que maravilha seria se pudéssemos plantar nossas arvorezinhas em casa, com alto controle de qualidade e garantia de um produto 100% natural. Como não temos essa alternativa, somos obrigados a recorrer à Firma.
Vamos à “reportagem”. Sua primeira frase: “como um executivo de bem com a vida, Flávio acorda sem pressa, às 9h, em Porto Alegre”. Aí está tudo explicado. Porém a ignorância e o ódio de classe dos “repórteres” de ZMentira não os deixam enxergar. O discurso da mídia é tão poderoso que já tomou os corações e mentes da população. Todos querem fazer parte do pessoal dos carros importados. Jovens roubam para ter um Nike. Nesse sentido, o que impede que um jovem de vinte e poucos anos queira ser um “executivo de bem com a vida”? Para ZMentira, só quem é da alta burguesia pode se dar a esse luxo. O pessoal da vila tem que ser porteiro, gari, cozinheiro, pedreiro. A política deles é menos escola, mais presídios. Com uma mão dão a ilusão de uma vida melhor no consumismo e com a outra tiram qualquer possibilidade de consumo.
Não acredite em nada do “Grupo”. A RBS é um partido de extrema direita.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Mas que merda!

Esse mundo, do jeito que está, é uma merda. Não tem como não ser.

1- Famílias inteiras moram nas ruas, sob os viadutos. Cozinham papel e arroz em latas de tinta, ou de óleo, usadas. Dormem espremidas contra o frio e envoltas por um cheiro insuportável de mijo e todas as coisas que apodrecem ao seu redor. Não são seres humanos. Aí a madame passa no seu carro importado e o que ela pensa? “Que nojo”.

2- Crianças trafegam como zumbis com suas garrafas químicas pelas calçadas. Já não têm mais cérebro. Fumam crack e bebem cachaça para esquecer da fome. Crianças! De 8, 9 anos de idade. Outros fazem malabarismos nas sinaleiras. Todo o dia, todos os dias. Uma luta incessante por “uma moedinha, tio”. Aí passa a madame no seu carro importado e o que ela pensa? “Que medo”.

3- Milhares de jovens e adolescentes entram na vida do crime. Eles querem um tênis Nike e levar sua namorada para jantar num restaurante bacana. Seu destino é a morte ou um presídio superlotado. Não querem saber de escola. Não querem saber de emprego, porque sabem que serão escravos. Querem uma vida de “Malhação”, de condomínios de luxo. Aí passa a madame no seu carro importado e o que ela pensa? “Vagabundo”.

Chega, ou querem mais?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Transportes

Está em todos os jornais: o governo vendeu 2.600 Km de estradas federais. Só para refrescar a memória, ambos os candidatos à presidência no ano passado afirmaram que “nada que fosse público seria vendido”. Quem grita é a classe média, que tem carro. Mas o assunto é sério e atinge também o povão que depende de ônibus para se deslocar. Só para termos uma idéia, uma passagem de ônibus para São Paulo custa R$145. Quem tem acesso à internet, e paciência para procurar, consegue uma passagem de avião por R$100, ou até menos.
Alguma coisa não está certa. E eu digo o que é: o modelo de transportes adotado pelo Brasil. Para babar ovo dos Estados Unidos acabamos com nossas ferrovias e hidrovias. Sim, o Brasil tinha um vigoroso transporte hidroviário. Imaginem se tivéssemos em vez da BR101, a T101, uma linha de trem ligando todo o litoral brasileiro? Menos acidentes, menos mortes, menos poluição, mais liberdade, preços mais baratos, maior contato entre as pessoas, enfim, só vantagens.
É óbvio que os donos do Brasil não iam gostar nada disso. Fazer o bem para o povo não está nem perto dos seus planos....

terça-feira, outubro 09, 2007

Oportunidade perdida

A humanidade perdeu uma grande chance de evoluir. Falo do biênio 1967/68. Como não o vivi, tenho a facilidade de analisar com um certo distanciamento histórico. Com o qual, inclusive, corro o risco de ser extremamente superficial.
Pois bem, morreu Che Guevara. Os jovens comunistas se viram de uma hora para outra órfãos do seu ícone. Foi então a oportunidade dos jovens anarquistas roubarem a cena. Do pacifismo hippie/novo homem norte-americano à rebelião contínua dos franceses, todos tinham uma mesma idéia: acabar com a estrutura vigente.
O que, de fato, conseguiram. Mulheres, negros, homossexuais, e todos que antes sofriam um enorme preconceito passaram a assumir seu lugar na sociedade sem medo. O sexo deixou de ser tabu e passou a ser discutido livremente, assim como o uso de drogas. Tudo isso embalado pela grande revolução musical de Beatles, Rolling Stones, Greatful Dead, Bob Dylan, The Doors, Jimmi Hendrix..........
Realmente uma grande chance. Mas o que sobrou disso tudo? As mulheres, ao invés da liberdade, procuraram a mesma escravidão a que os homens estão submetidos: empregos, salários, sucesso, dinheiro. Sexo virou mercadoria, e hoje está muito longe do verdadeiro sentido do amor. As drogas são usadas para fugir da realidade e não para transformá-la. E, por último, o Rock’n’Roll acabou.
Quando virá a nova revolução? Fiquemos atentos para não perdermos, mais uma vez, a oportunidade.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Os bons piratas

A expressão mais ouvida em qualquer centro de grande cidade é “CD, DVD, Play1, Play2”. Pirataria. Já comentei antes que as lojas de discos estão às moscas, e não é sem razão. Qual o preço de um CD? Os mais baratos giram em torno de R$20. Claro, temos as promoções de R$10, e até de R$5, mas sabemos que tipo de disco é.
O que resta para o povão é a pirataria. Como não comprar um CD com toda a discografia da sua banda favorita por R$5? Ou pagar o preço abusivo dos cinemas, quando todos os lançamentos estão ali na calçada?
Pois bem, estou com a revista Rolling Stone de setembro em mãos. A matéria “Metamorfose Ambulante” trata das modificações do mercado perante este fato. As gravadoras estão muito preocupadas com a queda nas vendas, principalmente por conta da pirataria e dos downloads. Os executivos reclamam e dizem que “a situação do mercado no Brasil é séria, até grave. Pela queda do mercado, que vem se acentuando, devido à pirataria, que é crime organizado, que fomenta o tráfico e a guerra, quanta gente perdeu o emprego?” (Alexandre Schiavo, gerente da Sony/BMG). Seu escritório tinha 500 pessoas e hoje conta com apenas 90. Exigem incentivos do governo para que possam baratear seus produtos.
Agora eu pergunto: quantos jovens viram uma oportunidade de tirar a barriga da miséria com a venda de discos piratas? E o povo, que passou a ter acesso à música do seu artista preferido? Músico nunca ganhou dinheiro com venda de disco. Músico ganha dinheiro em show. É por isso que muitos deles não estão nem aí para a pirataria. Claro que Metallica e o pagodeiro Belo reclamam. Afinal, têm contratos fartos com as gravadoras. Mas os músicos de verdade, aqueles que estão lutando para aparecer, estão felizes da vida com a profusão de música barata, seja na internet, seja nas calçadas.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Violência

Existem muitas teorias sobre as causas da violência. Falta de polícia, miséria, desigualdade social, falta de cadeias, tráfico de drogas...... Tudo balela. Antes de reverberar qualquer uma dessas “verdades” impostas pela imprensa, pense que a culpa pela violência é sua.
Em primeiro lugar, o medo. Grades, condomínios fechados, prédios, carros, e ficamos todos longe do espaço que é nosso; a rua. Devemos tomar conta das ruas, evitar o preconceito e saber que somos todos iguais.
Em segundo lugar, a ostentação. Vocês, por acaso, sabem por que um adolescente coloca a arma na cara de um cidadão e leva seu carro? Para comprar um tênis Nike e jantar com sua namorada em um restaurante bacana. Esta afirmação eu ouvi de um apenado da Fase, antiga Febem: “eu nem precisava roubar. Minha mãe ganha bem, meu padrasto também. Mas eu tenho que andar com dinheiro no bolso. Gosto de me vestir com roupas legais, andar com um tênis legal, sair para a festa com dinheiro”.
Por quê? Fico imaginando como eu, um rapaz de classe média, posso viver na pindaíba, sempre sem dinheiro, comendo uma refeição por dia, e mesmo assim, feliz da vida. De onde vem essa necessidade por bens materiais que fomenta o crime?
Eu tenho minhas respostas. E vocês?

quinta-feira, outubro 04, 2007

Rock é Rock mesmo

Não tenho a prática de reproduzir outros textos nesse blog. Mas este merece:

“O racismo está tão profundamente arraigado nos Estados Unidos que pessoas boas não percebem que suas atitudes são racistas e que estão contribuindo para a revoltante opressão baseada na cor das pessoas. Os criadores e os inovadores da música afro-americana, a única revolução musical importante que ocorreu desde as valsas de Strauss, deviam ser venerados e respeitados. No entanto, Paul Whiteman foi coroado rei do jazz, Benny Goodman, rei do swing, e Elvis Presley, rei do rock’n’roll, enquanto aos gênios negros, como Duke Ellington, Count Basie, Billie Holiday, Joe Turner e Little Richard, que criaram a única forma de música clássica dos Estados Unidos, sempre foi negado reconhecimento em seu próprio país.”

Este parágrafo está no prefácio do livro “A vida e a época de Little Richard”, de Charles White. Vale a pena a leitura. É a própria história do Rock, contada por quem viveu tudo pela primeira vez. Ajuda-nos a entender o porquê da força do Rock’n’Roll e também confirma a teoria de que o que se faz hoje não tem nada a ver com a música original. Rock é rebeldia, contestação, luta, e sim, é coisa de negrão, de pobre.
Fodam-se os playboys do Rock! Fodam-se os bares com preços abusivos! Foda-se a cerveja cara! Fodam-se as gravadoras de discos!
Viva o Rock’n’Roll!!!

quarta-feira, outubro 03, 2007

Um dia qualquer

Já não enxergava mais nada como antes. As imagens pareciam demorar a tomar forma no cérebro. Olhei para o lado e ela estava ali; ainda bem, começava a ficar com medo. Tentei levantar. Na sala o ambiente sufocava. A cara inquiridora do Che Guevara de parede me causava um desconforto imenso. Não tenho culpa, não quero essa revolução. O ar pesado pelas ondas do Rock’n’Roll invadia meu corpo. Levantei. Não sentia as pernas. Não sentia nada do pescoço para baixo; ou seria do pescoço para cima? Dei dois passos e aquela voz me atingiu em cheio: “aonde tu vais”? Aonde eu vou? Ora, sei lá, não me lembro, só tinha que levantar. Olhei na direção em que fui atingido pela voz, e lá estava ela. “Nossa, como é linda”, penso em um acesso de romantismo desenfreado. Caminho na sua direção. Ela está no sofá. Derrubo um cinzeiro, um copo, chego bem perto dela: “me dá um beijo”. Nossas línguas se cruzam num ritmo infernal que leva minha mente para lugares nunca antes visitados. Acho que vi o futuro. Nós dois numa casa, olhando as crianças que brigam por uma coisa qualquer, viro para ela, olho no fundo dos seus olhos e vejo minha vida; eu te amo. Sento novamente no sofá. O ar já não é mais tão importante. Nada mais é “tão” importante. Viro-me novamente para ela e, do fundo do meu coração, digo:
-Que fome, vamos comer alguma coisa?
-Báh, certo! Erva boa essa, né?
-Tô viajando horrores.
-Eu também.
-Eu te amo.
-Eu também.

terça-feira, outubro 02, 2007

Capitalistas não sabem nada de capitalismo

Continua a mobilização dos bancários por melhores salários. Eu, particularmente, acho um saco essa conversa sindical, até porque são todos meio comunas. Fosse um sindicato anarquista e já teríamos bancos pegando fogo, barricadas, tropa de choque....(vai sonhando, vai sonhando).
No entanto, qualquer pessoa que possua o mínimo de raciocínio lógico sabe que é justa a luta dos trabalhadores. Eles querem um aumento de 10,4% (ou alguma coisa por aí). A princípio os banqueiros queriam apenas repor a inflação do período, que ficou em 4,82%. Ontem, dia 1º, a Fenaban acenou com uma nova proposta, 6%. Provavelmente será fechado um acordo em torno dessa cifra.
Agora, vejamos se isso é justo. Todos acompanhamos pela imprensa a emocionante corrida dos bancos em busca do maior lucro. Economistas e jornalistas especializados chegam a chorar quando o Itaú passa o Bradesco. Ou seria quando o Bradesco passa o Itaú? Não importa. De qualquer forma é um espetáculo bizarro. Reproduzo aqui os lucros dos maiores bancos no primeiro semestre de 2007:

Itaú – R$ 4,016 bilhões
Bradesco – R$ 4,007 bilhões
Banco do Brasil – R$ 2,5 bilhões
Caixa Econômica Federal – R$ 1,716 bilhão
Unibanco – R$ 1,422 bilhão
ABN Amro Real – R$ 1,261 bilhão
Santander Banespa – R$ 1,002 bilhão
Banrisul – R$ 725,1 milhões

Paramos por aqui. Será que 10% de aumento para os trabalhadores fariam os donos dos bancos mais pobres? E digo mais, eles, como a ponta de lança do capitalismo, não entendem nada de capitalismo. Dado o aumento, poderiam pleitear uma colocação naquelas revistas que divulgam “as melhores empresas para trabalhar”. Ou quem sabe um selinho de “responsabilidade social”. Com essa ilusão, suas ações subiriam na bolsa de valores, o que aumentaria seus lucros.
Já viram essa? Um anarquista dando aulas de capitalismo. Em que mundo vivemos.....

sexta-feira, setembro 28, 2007

O caminho do fim

Pois é, há uma semana eu falava que “o Rio Grande é a Amazônia amanhã”. Para quem não sabe, toda a parte norte do nosso Estado era coberta por uma frondosa floresta. Um pequeno reduto dessa maravilha foi preservado, no Parque do Turvo, município de Derrubadas. Na verdade é uma visão bizarra, triste. Nuvens de agrotóxico e a fauna ilhada, esperando uma morte lenta e certa.
Pois bem, para provar que não estou ficando louco, aqui vai uma notícia de hoje:

“Amazônia: Governo vai permitir plantações de cana em áreas de pastagem degradada”.

É do jornal O Globo, por incrível que isso possa parecer. Agora, tentem adivinhar como começou a devastação aqui no nosso Estado? Complete o quadro com estas outras notícias, do Estado de São Paulo, coladas no blog Ponto de Vista:

“Lula diz na ONU que etanol é compatível com preservação”

“Preço dos alimentos deve elevar a inflação deste ano à meta de 4,5%”

“Consumo de nutrientes essenciais é baixo no Brasil, revela estudo”

“Em MT, derrubada de mata subiu 200%”

E aí, não vão querer que eu explique tudo, certo?

quinta-feira, setembro 27, 2007

"35 anos de Rock"

O bar é um local privilegiado de aprendizado. É a própria esfera pública. Todos os assuntos são lá discutidos, elaborados, contatos são feitos, xingamentos, risadas, enfim, bar.
Mas os bares não são todos iguais, longe disso. Para o bar ser considerado bom, existe um pré-requisito fundamental: cerveja barata. Na geografia da vizinhança Cidade Baixa / Bom Fim, podemos já excluir uma penca de estabelecimentos: Copão (bar de playboy), Ossip (bar de veado), todos os bares do Olaria (lugar de playboy veado), e mais alguns outros representativos desse universo. Nada de preconceito. Só estou considerando minha opção como rocker e heterossexual.
Tudo isso para dizer que dentre os botecos que sobraram existe um de destaque: Rossi Bar. É a sala de aula número 1 da Faculdade de Rock. Ontem, por exemplo, passamos lá um bom tempo tomando cerveja e ouvindo o disco Reflection, do Steamhammer. Sim, isso mesmo, Steamhammer. Grande banda de blues-rock inglesa, cujo vocalista, Kieran White, tem uma voz muito parecida com a do Ian Anderson (inclusive, duvido que ele diria que sua banda não é uma banda de Rock, mas essa é outra história...).
Lá pelas tantas a Frã para o Afonso, dono do boteco, e pergunta: “há quanto tempo tu curte Rock”. Depois de alguns cálculos, “35 anos”. Foi a senha para ele se soltar e começar a largar algumas pérolas como “eu tenho mais de dois mil discos de blues. E para ser blues tem que respeitar duas regras: ser feito nos Estados Unidos e por negros”.
Nessa ficamos, falando coisas de Rock e bebendo Polar gelada a R$2,90. Fica a dica: se não souber o que fazer na noite, dê uma passadinha no Rossi. Quem sabe não sobra uma aulinha de Rock’n’Roll....

terça-feira, setembro 25, 2007

Mentiras

Por força do meu trabalho de conclusão, tenho lido dezenas de revistas antigas. Nem tanto, de julho a novembro do ano passado, época das eleições. Mas já o suficiente para ver o quanto uma revista velha é ridícula. Jornal, então, nem se fala. Faça o teste: pegue aquela pilha de jornais da semana passada e dê uma olhada. “Meu deus, é tudo mentira!”. Sim, mas por quê?
1- Um jornal é feito totalmente dentro de uma redação. Como esperar que alguém reflita a realidade quando não sai de um ambiente artificial?
2- Há uma grande inversão de prioridades. Fatos importantes são esquecidos; coisas banais são remoídas à exaustão.
3- Nada supera a vida nas ruas. Por mais que eles tentem, não conseguem nos enganar o tempo todo. Só quem faz parte do “povo” sabe como funciona o mundo.
4- As pessoas que produzem o jornal fazem parte do pessoal dos carros importados; ou querem fazer.

É óbvio que a reflexão é muito mais profunda. Estes são apenas alguns tópicos que se destacam na minha humilde avaliação. Mas nem sempre foi assim. Houve uma época em que existiam jornalistas de verdade. Como nós trabalhamos com noções de comparação, vai aqui uma dica. Leia um exemplar da revista Realidade, publicada pela Editora Abril entre os anos 60 e 70. Depois pegue uma Veja, por sinal da mesma editora, e compare.
Depois disso, continuar comprando Veja é sinal de má fé; ou indigência mental.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Festa dos 10

O domingo acabou comigo tentando comprar uma pizza no Habib’s. As socialites visivelmente incomodadas com minha embriagues. Pelo menos a atendente teve alguns momentos de alegria: “Escolhe um sabor qualquer aí, o que ficar mais fácil de fazer”. Boa pizza. Não lembro agora de que.
Sim, eu estava feliz. Depois de quatro dias convivendo com as melhores pessoas do mundo, não podia ser diferente. O apartamento 2 se transformou no grande reduto de Rock’n’Roll da cidade. Que digam os 22 vizinhos que ligaram para a polícia. É, os brigadianos chegaram bem na hora que começou o som da banda. Não dá nada, ninguém conseguia tocar mesmo...
Vou resumir: 26 caixas de cerveja, churrasco sem fim, Rock’n’Roll a todo volume, o tempo todo e os melhores amigos que alguém poderia ter.
Foda-se o resto.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Amigos

"Vamos sair
mas não temos mais dinheiro
meus amigos todos
estão procurando emprego
voltamos a viver
como a dez anos atrás
e a cada hora que passa
envelhecemos dez semanas"

A partir de hoje dedico-me totalmente aos meus verdadeiros amigos. Volto segunda.

quarta-feira, setembro 19, 2007

O Rio Grande é a Amazônia amanhã

“Soja ‘asfixia a Amazônia’, diz francês ‘Le Monde’”. Esta é uma das matérias do site da BBC no dia de hoje.
Que o jornalismo brasileiro é ruim, todo mundo já sabia, mas agora chegou num ponto vergonhoso. Precisamos que os gringos venham nos dizer as verdades sobre o que consideramos nossa maior riqueza. Bem, não sei por que estou espantado. Há muito tempo são eles quem comandam esse pedaço do Brasil. Biopirataria, madeiras, soja, gado, é tudo dos gringos. Aí o paradoxo: eles destroem, eles noticiam, eles fazem campanha para preservar.
A notícia acima tem relação direta com o eu escrevi ontem. Quem vocês acham que planta soja no Pará? São os mesmos “gaúchos” que destruíram as florestas do nosso estado, em parceria com a Monsanto. Para quem não tem idéia do que estou falando, sugiro uma visita ao Parque Estadual do Turvo, no município de Derrubadas, noroeste do estado, pertinho de Tenente Portela. Ali fica clara a devastação de que fomos vítimas.
É interessante também uma passada pela Reserva Indígena da Guarita para uma conversa esclarecedora sobre a verdadeira relação do homem com a natureza. Sobre os índios volto a falar outra hora...

terça-feira, setembro 18, 2007

O anti-gaúcho

Nesta semana todo mundo é gaúcho. Anda orgulhoso com suas bombachas de naftalina, come churrasco e fala grosso. Todos sabem cantar o hino do Estado, “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, e logo vem o sentimento de que somos o melhor povo do mundo, paladinos da moral e das virtudes.
Pois esses mesmos “gaúchos”, que sentem tanto orgulho da sua terra, não estão nem aí para a destruição do Pampa. Claro, eles nunca devem ter sequer visto o Pampa, pisado no pasto, passado uma noite a olhar a infinidade de estrelas e os ruídos assustadores do silêncio. Esses “gaúchos” devem achar linda uma plantação de eucaliptos, a maior bizarrice de nossos tempos. Quem planta eucalipto é o próprio anti-gaúcho, é quem está acabando com nossa identidade.
O Rio Grande sangra. Já destruímos todas as nossas florestas do norte para plantar trigo e soja. Não me assustarei se daqui a alguns anos começarem a plantar cana entre tocos de árvores.
No futuro não teremos terra, não teremos gado, não teremos comida. E os “gaúchos” estarão felizes em aplaudir carros alegóricos numa avenida da cidade.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Morgan le Femme

O Rock tem salvação. De tempos em tempos acontece alguma coisa que renova minhas esperanças. Hoje acredito na resistência por causa de um grupo de meninas. Poucas coisas são tão boas de ver quanto uma banda feminina detonando guitarra, baixo e bateria com muita atitude e volume. Morgan le Femme, é o nome.
Gostei tanto que já me auto-intitulei presidente do fã clube delas. São um fenômeno. A baterista deve ter recebido o espírito do John Bonham. O Hamilton, batera da Só Creedence, já tinha me prevenido: “sempre que elas tocam eu levo meu protetor auricular”. Não, ela não é nenhum monstro de quatro braços. É uma guriazinha de óculos, tímida, que ainda carrega uma cara de saída de colégio. A vocalista tem uma voz potente e toda a postura de uma “front-girl”. Não é à toa que ela se atreve a cantar Janis, e canta muito bem. O dueto das cordas completa o time com muita elegância e competência. Se a vocalista arrisca a Janis, as gurias do baixo e guitarra atacam de Pata de Elefante sem perder a compostura.
No repertório delas ainda encontramos Raul, Beatles, Stones, Creedence, ou seja, Rock’n’Roll da fonte. Portanto, fica aqui a sugestão: vejam o show da Morgan le Femme. Quarta-feira elas tocam no Garagem Hermética.
Há, só uma ressalva: elas não bebem nem usam drogas. Bem, são tão novinhas, um dia elas aprendem....

quinta-feira, setembro 13, 2007

De quem é a culpa

Impossível não falar no “grande” fato de ontem. O cara continua lá. Já ouvi de tudo, mas uma frase marcou minha percepção: “o Congresso é uma amostra da nossa sociedade”. Talvez seja; da sociedade deles, da sociedade da ‘opinião pública’, da sociedade dos carros importados e dos condomínios de luxo. O povão sequer sabe quem é Renan Calheiros. Repetem frases feitas: “é um ladrão”, “é corrupto”. Não. Nem isso. Para o povão, Renan Calheiros é o cara que comeu a jornalista gostosa. Ponto. Corrupto todos são, essa não é uma característica que diferencie.
Voltemos ao fato. Como anarquista convicto, torci pela absolvição do senador. Quem sabe assim as pessoas se dão conta de que a política institucional não resolve, nunca resolveu e nem vai resolver a situação do povo. São todos iguais, sua única ideologia é o dinheiro. Suas ações são todas para resolver os problemas dos financiadores de campanhas. Quem são os financiadores de campanhas? O pessoal dos carros importados. De quem é a culpa dessa zona toda? É só pensar um pouquinho...

segunda-feira, setembro 10, 2007

Fama e Fortuna

Depois de um fim-de-semana de consumo absurdo de álcool, cigarros, churrasco, maconha e Rock’n’Roll, cheguei a uma conclusão: roqueiros não vão à praia.
Qual banda que se preze marcaria um show para o sábado 8 de setembro? Deve ser a pior data do ano, bem no meio do feriado. Quando o Zanatta, vocalista da Paranóia II (banda da qual sou o guitarrista), disse que tinha fechado esse dia logo pensei: “que furada”. Bem, de qualquer forma eu teria que ficar torrando na Capital por conta do trabalho.
Então, segui com toda a tradição: fazer cartazes, imprimir, colar, mandar e-mail para rádios, jornais, intimar a galera na rua, enfim, toda aquela função. O dia do show era também dia de jogo do Colorado e um dos dias de maior ressaca da minha vida. Apavoramos na sexta. Mas, não dá nada, vamos lá. Carregar instrumentos, amplificadores, montar o palco, passar o som. Pelas 9h da noite eu já queria jogar tudo pro alto: não vai vir ninguém mesmo.
Depois de uma sessão de descarrego a lá Bob Marley e uma leve concentração no Rossi Bar, fomos para o local do show. Qual não foi minha surpresa: todas as mesas estavam lotadas, assim como o balcão do bar. Já era um público excelente, umas 30 pessoas.
Quem abriu o show foram as gurias da Morgan le Femme. Muito rockers. Nesse tempo o bar foi enchendo. Lá pelas tantas os donos tiveram que abrir o mezanino porque já estava começando a ficar apertado.
Subimos no palco e fizemos nossa parte. O pessoal cantou, pulou, bebeu, enfim, foi uma grande festa de Rock’n’Roll. Acabamos a noite no Marinho, onde gastei todo o dinheiro que ganhei no show. 50 pila. Não dá nada. Pelo menos tive meus momentos de fama e fortuna.