segunda-feira, março 31, 2008

O povo clama por Rock'n'Roll

Porto Alegre costuma nos revelar certas surpresas. Uma delas me atingiu em cheio no fim da tarde de sábado, na prainha do Gasômetro: o Rock’n’Roll não morreu. Ele anda meio desacreditado, convenhamos, principalmente pelos donos dos meios de difusão da cultura. Mas nada que uma manifestação popular não possa contrariar.
Ao sair de casa acompanhado pela primeira dama senti pela primeira vez que nunca vou mudar. Camiseta dos Beatles, calça de brim rasgada, tênis All Star, meu Deus, ainda não saí dos 15 anos!!! Foda-se!!! Quando a família disse que “agora já sou um adulto” até achei que poderia mesmo estar fazendo um papelão. Agora me dou conta de que a desmoralização é deles com seus amigos e sua sociedade de classe média. Talvez não suportem os comentários. Quanto a mim, seguirei andando de “camisa rasgada e calça furada, bebendo cachaça no bar”.
Depois do desabafo seguimos com a história. Ao passarmos pelo Largo Zumbi dos Palmares nos deparamos com uma das coisas mais patéticas da cidade: o Maracatu Truvão. Alguém já se prestou a ouvir esse papelão? São capazes de passar horas num transe sem sentido batucando o mesmo ritmo, sem letra, sem harmonia. E lá estavam eles, vestidos como nordestinos, com suas peles loiras e olhos azuis. A tradição é desenvolvida com base na raiz de sangue, identidade cultural com a terra que os pés dos antepassados pisaram e que deve também ser maltratada por nós. Que fosse um grupo de milongas, uma invernada artística, uma bandinha alemã ou italiana, tudo bem. Mas maracatu...... Nada contra a cultura nordestina, vejam bem. Fossem eles um grupo de nordestinos em excursão pelos pagos meridionais do seu país e até me prestaria a ouvir sua chatice com o maior respeito.
Mas o negócio aqui é Rock’n’Roll. Por volta das cinco da tarde uma pequena multidão já se acumulava em frente ao palco montado na prainha. Uma visão atordoante era a quantidade descomunal de brigadianos, a pé, de moto, a cavalo, como se aquela junção de adolescentes, pré-adolescentes e adultos retardatários tivesse alto potencial subversivo. Estavam superestimando o Rock. Tivemos que dar uma banda pela orla. Isso sim é Porto Alegre. Não há nada igual no mundo. Principalmente pela angústia de não poder entrar na água.
De volta à confusão descobrimos que a primeira atração era o Cachorro Grande. Como teríamos ainda Alemão Ronaldo e Rosa Tattooada, achei justo que eles fossem os primeiros. Não só porque são os mais novos, mas também porque possuem mais fãs na tenra idade, que não poderiam ficar até a noite por ali. Vejam bem os méritos que tem essa banda. Talvez, depois dos imbatíveis Engenheiros do Hawaii, eles sejam a mais popular banda da história do Rock gaúcho. São capazes de mobilizar as jovens mentes em torno do Rock’n’Roll. Há muito tempo não havia um fenômeno como esse, o que é fundamental para que continue a nossa tradição como estado roqueiro.
Tomávamos uma caipirinha da pior qualidade no bar flutuante, quando vemos Alemão Ronaldo chegar aos bastidores. Depois de mais de vinte anos de estrada (bem mais) ele ainda consegue ser Rock Star: um casal pede autógrafos e licença para tirar uma foto. Como os bastidores não estavam muito movimentados, e meu estado de espírito andava meio elevado pela cachaça Belinha, pensei que poderia salvar o Rock. Imaginei que seria bom para o ego de nossos artistas se eu protagonizasse uma invasão de backstage ao gritos de “viva o Rock’n’Roll!!!”. De fato seria uma bela cena, ainda mais so conseguisse contagiar a Mirela, que ostentava uma camiseta do Led Zeppelin, a mesma calça rasgada e o mesmo tênis All Star. Felizmente não foi preciso. Como chegava ao fim o show da Cachorro Grande, uma pequena horda de crianças e adolescentes começaram um verdadeiro escarcéu na porta, na verdade controlado facilmente pelos seguranças.
Tomamos mais uma caipira para aproveitar a chegada de Seu Cossio II e olhar com tranqüilidade o espetáculo do pôr do sol. A essa altura comecei a ficar angustiado com uma possível debandada do público, já que a noite se aproximava e as “estrelas” da tarde já haviam tocado. Qual não foi minha surpresa em ver que o “coroa” Alemão Ronaldo reuniu mais público que seus antecessores. Desta feita estávamos em frente ao palco, agora com latas de cerveja, porque tio Ronaldo merece todo nosso respeito. “Vocês estão preparados para o Rock’n’Roll?!!”. Ovação do público. “Eu quero ouvir vocês gritarem ROCK’N’ROLL!!!”. “ROCK’N’ROLL!!!!”.
É meu amigo, a emoção tomou conta da galera, tanto que ele se empolgou a ponto de largar um “isso aqui tá mil vezes melhor que o Planeta Atlântida!”. Ele até tentou se explicar depois e deu uma puxada de saco na Rádio Atlântida, mas não rolou, a “cagada” já estava feita, para delírio da massa. Apesar da qualidade do som ser ruim, o repertório foi ótimo. Fiquei particularmente satisfeito em ver que Raul Seixas continua sendo o principal artista da música brasileira. Sim, tio Ronaldo chamou na Sociedade Alternativa e o público, claro, enlouqueceu. Até Sob um céu de Blues ecoou pelo centro da cidade, para satisfação da nossa querida Capital.
Outra agradável surpresa foi a resistência do público para ver o Rosa Tattooada. Sinceramente não imaginei que eles ainda tivessem tanto respaldo junto à moçada. Foi, com certeza, o melhor show da jornada. Tocaram com muita empolgação e conseguiram animar até mesmo nas músicas menos conhecidas. O final foi apoteótico, com Detroit Rock City, para homenagear sua fonte inspiradora, o Kiss.
Saímos todos satisfeitos com a tarde-noite rocker. Fico pensando agora por que o Rock’n’Roll anda tão em baixa por aqui, pelo menos na aparência. Depois de muito refletir, cheguei a uma conclusão: sofremos um boicote dos meios de divulgação. As rádios comerciais se iludem com a idéia de que devem ser “modernas”. O Rock não é moderno. Nossa humilde Radio Web Putzgrila conquista a cada dia mais adeptos divulgando o Rock como ele é: cru, seco e direto. Por outro lado temos os donos de bar que parecem não saber nada do negócio. E o negócio é dinheiro, que, infelizmente, nós roqueiros não temos. Se cobrassem um preço acessível pelas entradas e pela bebida seus bares teriam gente saindo pelo ladrão. E tem mais: por que o boicote no fim de semana? Pô, a gente trabalha!!!
O povo clama por ROCK’N’ROLL!!!!

sexta-feira, março 28, 2008

A realidade e os jornais

Descobri recentemente que sou fã do Norman Mailer. Que tal esse trecho de Cartas abertas ao presidente:

“Vê-se o repórter numa situação importante; sua voz estende-se diretamente ou indiretamente, pela redação, a milhões de leitores; quanto maior for o número de leitores que tiver, tanto menos poderá dizer. Uma centena de censores – a maioria dentro dele mesmo – proíbem-no de comunicar idéias que não sejam conformistas e simples, da mesma simplicidade do plástico, isto é, monótonas. O repórter, portanto, forma o hábito de maltratar a própria carne: aprende a escrever aqui em que não acredita. Como, presumivelmente, não começou a profissão com o desejo de ser um articulista mau ou desonesto, acaba fazendo o cérebro acreditar que alguma coisa, que seja meia-verdade, é, na realidade, nove décimos verdadeira, uma vez que ele cria um evento cada vez que escreve algo para o jornal. Uma alma está corrompida: a dele mesmo; cria-se um falso evento, e por este, cedo ou tarde, inevitável e inexoravelmente, o povo pagará. Uma nação que forma opiniões detalhadas na base de fatos detalhados que se esquivam, sutilmente, da realidade, torna-se nação de cidadãos cujas almas se desviam, nitidamente, de qualquer realidade”.

Na seqüência do texto ele fala sobre os releases de relações públicas que são distribuídos aos milhares para os repórteres. Qualquer pessoa com o mínimo de preparo pode fazer um jornal sem levantar a bunda da cadeira. Não precisa nem de telefone; tudo pode (e deve) ser feito por e-mail.
Agora eu pergunto: esses jornalistas sabem que a cidade tem cheiro de mijo? Eles sabem quanto custa um cafezinho no abrigo da Praça XV? Sabem quanto demora um ônibus até o fim da linha do Rubem Berta? Sabem a que horas acorda um carroceiro?
É, meu amigos, a realidade é muito diferente daquilo que aparece nas páginas dos jornais.

Só para lembrar: o texto de Norman Mailer é de 1964.

quinta-feira, março 27, 2008

Política, ah!, a política...

Vocês que acompanham esse blog já viram referências ao absurdo que é a política brasileira. A impressão que tenho é de que tudo é feito “nas coxas”. O prefeito, governador ou presidente não sabem por que chegaram lá. Talvez seja uma questão de prestígio, de gosto pelo poder e pelo respeito idiota que os idiotas dispensam a tais personalidades.
Mas, realmente, eles não sabem o que fazer. Não têm o menor preparo para o governo e, justamente por isso, são altamente influenciáveis. Claro, também são obrigados a pagar favores para as grandes empresas que investiram nas suas candidaturas.
Vejamos alguns exemplos de bizarrices políticas:

- O governo do Rio Grande do Sul promove o plantio de árvores no Pampa. Até o mais ignorante ser humano sabe que o Pampa é lugar de criação de gado. Enquanto isso...

- Os governos do Mato Grosso, Pará, Rondônia e, é claro, o governo federal, incentivam a criação de gado na Amazônia. Depois vem a plantação de soja, de trigo, de milho, tudo transgênico e com toneladas de agrotóxicos. Ah, já ia me esquecendo, tem a plantação de cana também, o que nos leva para o próximo item....

- Na contramão da história, o governo federal quer transformar o Brasil num canavial com a ilusão de que os gringos vão comprar álcool. Na 6ª série do colégio aprendemos o ciclo da cana no Brasil. Era exatamente como hoje: meia dúzia de senhores de engenho (hoje de usinas), trabalho escravo (hoje um operário da cana trabalha o dobro de um escravo), tudo para ser abandonado daqui a 50 anos, no máximo.

Aí eu fico me perguntando: será que sou louco? Será que só eu vejo essas coisas? Não pode ser verdade. No fundo esses governantes são extremamente imbecis. Imaginem a cena:

Segunda feira, Palácio Piratini, governadora Yeda recebe representantes da Aracruz. Depois de ter tomado umas cinco bolinhas ela não consegue falar, então o diretor-presidente começa sua ladainha: “governadora, a senhora sabe que investimos X milhões na sua campanha. Agora nós precisamos que a senhora libere umas terras para plantarmos eucalipto. Um bom nome para a Secretaria do Meio Ambiente é Carlos Otaviano Brenner de Moraes, e para a Fepam, Ana Pellini. A senhora pode dizer que nós estamos investindo X milhões de dólares e que vamos gerar 200 empregos. Não, não se preocupe, ninguém vai perceber que isso é ridículo. Os jornais vão dizer que é tudo muito bom, nós já temos nossos homens lá. Tudo certo então?”.

E assim nós afundamos....

terça-feira, março 25, 2008

Futebol e cerveja

Querem acabar com a nossa alegria. Onde já se viu, proibir a cerveja nos estádios de futebol? Uma coisa praticamente não vive sem a outra.
Tudo bem, tem gente que bebe e se passa, mas esses vão beber de qualquer jeito. Ou por acaso vão proibir os bares que ficam ao redor do estádio de vender bebidas? Vão proibir as pessoas de levar seu trago de casa? Vão proibir o tiozinho sem dente de vender o “leite de onça”? Vão proibir o Seu Jorge, o filósofo da Rua da Praia, de empunhar seu isopor? Por acaso, algum dia vão proibir os brigadianos de se banharem em farinha para fazer o policiamento dos jogos?
Pois é, a nossa Assembléia Legislativa anda ocupada com esse tipo de coisa. Corrupção, fechamento de escolas e criminalização dos movimentos sociais são assuntos secundários. O importante mesmo é a cerveja.
Isso só demonstra, mais uma vez, que vivemos em um dos estados mais reacionários do Brasil.

segunda-feira, março 24, 2008

Futebol do interior

De volta a ativa, me proponho a falar sobre futebol. Nós de Porto Alegre estamos acostumados com nossos times de primeira categoria. Tudo bem, temos aqui um time que gosta de andar pela segunda categoria, mas vá lá, podemos considerá-lo como um igual.
Este costume nos faz esquecer do verdadeiro futebol, aquele que rola nos campos do interior do estado. Pense nos times de Pelotas, Erechim, Bagé, Passo Fundo, Santa Maria, até mesmo de Caxias, e o que vem à cabeça? Estádios precários e vazios, gramados esburacados, falta de recursos, jogadores e jogos ruins.... uma verdadeira semi-várzea.
“Mas os times não são assim tão ruins”, pode pensar o amigo leitor. Digo que pensamos assim porque só assistimos aos jogos da dupla gre-Nal. Todos os adversários dos times da Capital suam sangue para aparecer bem na TV, com jogadores motivados pelo sonho de serem contratados por um grande clube. Entre eles, porém, é o caos.
Fui ver Caxias e 15 de Novembro no último sábado. O Estádio Centenário está bem arrumado, e tem até uma vantagem em relação ao Beira Rio: a cerveja é Skol e está sempre gelada. Nas arquibancadas, umas 1500 pessoas. Claro, estava chovendo. Normalmente vão umas 4000. O gramado em boas condições teria tudo para ser palco de um bom jogo de futebol. Teria.
O Caxias, segundo colocado da chave 1 do Gauchão, joga um futebol burocrático. A preparação física parece abaixo do nível exigido pelo futebol moderno. A zaga e o meio campo jogam em linha, 3-6-1, e não trocam de posições como exige este esquema tático. O pobre do centro-avante Kemps fica isolado no ataque, tentando fazer alguma coisa sozinho.
Já o 15 de Novembro é, provavelmente, pior que o campeão de várzea da Região Metropolitana. Totalmente desorganizado, justifica seus escassos 4 pontos e garantia de rebaixamento.
O que quero dizer com isso? O futebol do interior precisa de apoio. Mais, precisa de visão dos seus dirigentes. Não consigo conceber que os times do interior de São Paulo ganhem rios de dinheiro e os daqui não consigam pagar a luz do estádio. Qual é o segredo? Formação de jogadores, categorias de base. O 15 de Novembro, o Veranópolis, e mais uma maia dúzia de agremiações fecham as portas após o Campeonato Gaúcho. No início do próximo ano contratam 25 atletas que treinam durante um mês e imaginam-se capazes de fazer um milagre. Não conseguem. Vejam o 15: chegou duas vezes á final do campeonato e agora está na segunda divisão. Se tivessem uma boa administração, seriam melhores que os de lá, pois a maioria conta com uma torcida apaixonada.
Se você é do interior, vá ao estádio do time da sua cidade. O futebol pode não ser grande coisa, mas você estará ajudando a manter uma tradição centenária do nosso estado.

quinta-feira, março 13, 2008

Pecados jornalísticos

Os jornalistas andam esquecendo uma coisa básica da profissão: verificar a notícia. Essa semana assistimos a um dos maiores papelões da imprensa mundial. Quem não ouviu falar dos novos pecados capitais da Igreja Católica? Foi manchete e capa de praticamente todos os órgãos de imprensa mundo afora. Até a BBC entrou na jogada.
A história foi a seguinte: o periódico “L’Osservatore Romano” publicou uma entrevista com Dom Gianfranco Girotti, bispo do tribunal da Penitência Apostólica (seja lá o que isso significa). Lá pelas tantas o repórter pergunta: “quais são, segundo o senhor, os novos pecados”. O bispo dá a sua opinião. Ponto. Nada de “novos pecados capitais”.
Mas eis que um “jornalista” lê e, simplesmente, decide que aqueles são os novos pecados capitais. Outro “jornalista” lê o que o primeiro escreveu e tasca um Ctrl+C / Ctrl+V. Assim cria-se a rede. Milhares de Ctrl+C / Ctrl+V são digitados pelo mundo.
O interessante é que depois do desmentido ninguém assumiu o erro. Por eles ficaríamos acreditando que existem realmente novos pecados capitais.
Que papelão!!!

P.s.: Vejo que alguns representantes dos carros importados querem entrar na Ufrgs através de liminares da Justiça. Estão inconformados por perderem suas vagas para negros. A estudante Kaingang de medicina já sofre preconceito. Eles não se controlam. A elite não aceita perder um centímetro sequer do seu espaço.

terça-feira, março 11, 2008

Porto Alegre

Acabei de ler O segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell. É uma bela obra que fala do que existe de mais importante: as coisas simples. Joe Gould é um mendigo boêmio e intelectual, formado em Harvard, que dedica sua vida a escrever uma obra chamada História Oral. Com esse “godô” ele vai tirando uma grana dos turistas e metidos a artistas que transitam pela noite de Nova Iorque.
É característico de Mitchell procurar personagens e situações típicos da sua cidade. Dessa forma ele revela a essência de Nova Iorque, o que não está estampado nos letreiros nem nos arranha-céus.
Me fez pensar muito em Porto Alegre. As conversas que tive com o Bigode, também mendigo, também artista. Seu Jorge, que é o filósofo da Rua da Praia. Afonso, dono do Rossi Bar, meu professor de Rock e Blues. Marinho, a salvação do fim de noite. O pessoal do Beira Rio, Ma.Ca.Co., Camarão, os irmãos do bar. Irmãos como os rockers dessa cidade, Nano, Rafa, Raul, Serafini, Prego.....são tantos, e tão poucos. Nessa cidade cada rua tem uma história que merece ser vivida e contada. As putas de rua e de carros importados. Os cafetões de botecos e multinacionais. O eufemismo que criamos para nossas favelas (vilas), incorporado por um povo que só quer viver. Porto Alegre é uma cidade negra na cor da pele, é só prestar atenção. Tem praia, e se nossos pais não tivessem sido tão irresponsáveis estaríamos tomando banho no Gasômetro. Essa cidade tem cheiro de mijo e maconha, porque aqui todo mundo fuma e mija na rua. Aqui eu escolhi viver e não sei se agora abandono tudo de uma vez. Aqui me sinto em casa porque conheço todo mundo.
Será que conheço Porto Alegre? Sempre busquei o que existe de verdadeiro aqui. Como Joseph Mitchell, procurei as entranhas de minha cidade. Não existe ruim nem bom, existe Porto Alegre, e quem a ama gosta assim mesmo.

segunda-feira, março 10, 2008

Obrigado

Muitas reações ao texto sobre o show do Iron. Agradeço a todos que de alguma forma se sentiram tocados pelas minhas palavras.
Na verdade não é o texto que é bom; é a vida. Sempre falo que devemos viver intensamente para que as coisas sejam reais. Todas as pessoas felizes vivem assim. Sugiro que sigam este singelo exemplo e atolem o pé na merda. Só assim a existência tem sentido.

P.s.: Cérebro embotado com a monumental quantidade de suco consumida no fim de semana.

sexta-feira, março 07, 2008

O RS é a vanguarda. Do atraso...

São dois jornais da mesma empresa. Reparem na sutil diferença entre as manchetes:

“’Por que pobre só pode andar de ônibus?’, ironiza Lula”

“Lula é recebido por 7 mil pessoas em favela”

O texto é exatamente o mesmo, mas o que fez um jornal escolher uma manchete e o outro uma totalmente diferente? Porque “ironiza Lula” tem uma conotação negativa em relação ao presidente. Reforça a subjetividade de que ele é improvisador, brincalhão, ou seja, coisas que um presidente não pode ser. Só para os carros importados. O povão ama o presidente. O pessoal tem comida na mesa. Não estou defendendo o governo, mas esse é mil vezes melhor que o anterior. Olha para os pobres. O que gera a revolta da elite, acostumada a ser a única beneficiada pelo poder. Isso que eles nunca ganharam tanto dinheiro como agora. Governo de esquerda segue como uma utopia para o Brasil. O Rio Grande do Sul é o estado mais reacionário do país. Que vergonha.....

quinta-feira, março 06, 2008

"Olhe sempre o lado bom da vida"

Eu vinha dizendo desde que não comprei o ingresso: “eu vou ficar na frente esperando a confusão para entrar”. Na verdade era para ser apenas uma brincadeira, mas no fundo eu sabia que era possível. Talvez seja um resquício dos tempos punks, ou a experiência de outros tantos shows, não sei. Eu sabia que conseguiria entrar para ver o Iron Maiden sem gastar nenhum tostão. Era um desafio, uma prova pela qual eu tinha que passar.

7h da tarde. Eu e a primeira dama (Mire Rock Show) estamos tranqüilos em casa, com a satisfação de compartilharmos momentos íntimos, se é que vocês me entendem. Sei pelos jornais que algumas pessoas estão há dias em frente ao Gigantinho. A essa hora aquilo deve estar uma zona. O mar vermelho que estamos acostumados a ver por ali substituído pelo mar negro. Esperamos os amigos Guido e Jonas (estamos com seus ingressos) ouvindo o primeiro disco do Iron. Na verdade a idéia era ouvir o Somewhere in time, mas o toca-discos anda meio estragado... Logo se estabelece uma discussão sobre qual a melhor fase da banda. Gabriel, que chegou há pouco para me tomar uma grana, afirma que prefere os dois primeiros discos, Iron Maiden e Killers. De fato, para nós que somos mais roqueiros do que metaleiros, estes são álbuns mais de acordo. Mas como negar as obras primas de Seventh son..., Number of the beast, Powerslave, Fear of the dark…… é, os caras são bons. Nisso chegam os gringos. Aqueles abraços efusivos, um pitaco na discussão e vamos embora que ta na hora.

8h da noite. Seguimos a pé rumo ao Complexo Gigante. No caminho vamos falando de Rock’n’Roll, é claro. A banda Multiverso, da qual os irmãos Bracagioli fazem parte, anda com bons planos. Se tudo der certo eles vêm gravar um disco aqui em casa. Paramos no posto para abastecer: cerveja e cigarro. A pernada até o Gigantinho não é nada mole. Estranho o pouco movimento. Achei que passaríamos por hordas de metaleiros, ônibus de excursão, gritaria, confusão, polícia.... que nada. Tudo na mais absoluta paz. Quem não soubesse do Iron nem precisava ficar sabendo. Mas tudo bem, na real pensava que para meus planos era melhor assim.

8h50. Finalmente chegamos ao Mac Aurio. A broca do meu estômago já estava me deixando atordoado e nada melhor para acalmá-la do que “um xis salada e uma cerveja”. Que frase maravilhosa. Já perdi a conta de quantas vezes a pronunciei. Agora sim dava para perceber que estávamos num show de rock. Urros da massa vinham de dentro do ginásio, enquanto ali fora ficavam os retardatários, os vendedores ambulantes e outra pequena massa: a dos que não têm ingresso. Mire Rock Show, a primeira dama, até tinha um, mas vendeu por um objetivo muito nobre: juntar fundos para ver o Ozzy em São Paulo. Acho que ela acreditou na minha balela de que “é claro que a gente consegue entrar de graça no Iron”. Pensem no absurdo dessa afirmação. A Mirela é meio louca mesmo.

9h. Uma explosão de 30 mil vozes. Será que começou? Mas não tem banda de abertura? Meu Deus, é o Iron mesmo!!! Guido e Jonas saem em disparada. Ainda contornam todo o ginásio para tentar um lugar no lado “mais tranqüilo”. O som é irreconhecível do lado de fora, mas com certeza é a voz de Bruce Dickinson. Eles entram e ficamos com dois copos de cerveja, um pacote de bolachas e uma garrafa de água. Belo prêmio de consolação. Ao redor do portão umas 50 pessoas estão babando de inveja dos que entram. Termina a primeira música. “Obrigado Porto Alegre!!!”, e o público vem abaixo. Hora de fumar um cigarrinho. A correria aumentou a adrenalina. E ela não baixa porque logo na seqüência eles mandam 2 minutes to midnight. O povo de fora bate cabeça apoiado na grade e canta em coro o refrão. Uma verdadeira festa!!!. Fora os que estão ali na pressão junto à entrada, uma pequena multidão se espalha pelos gramados com suas garrafas de cachaça e vinho. Todos, é claro, com camisetas pretas de alguma banda: 80% do Iron e o resto espalhado por Slayer, Judas Priest, Black Sabbath, Led Zeppelin, Cannibal Corpse, até Beatles e Rolling Stones estão presentes. Até o movimento punk está ali, amigos dos tempo de Aphasia. Imaginem a cena; batendo papo com os punks, tomando cachaça do lado de fora do show do Iron.....

9h45, mais ou menos. Os clássicos se sucedem. Imagino o público lá dentro, se ali fora o pessoal beirava as lágrimas e gritava “Maiden, Maiden, Maiden”, a cada intervalo de música. Noto, porém, que falta alguma coisa. É a Mirela quem mostra a luz: “vamos comprar umas biras?”. Mas é claro!!! Dentro do Complexo Gigante não podem entrar vendedores ambulantes, o que nos leva a percorrer um bom trajeto até a grade da rua. “Dois latões por cinco? Nem pensar?” tudo bem, pagamos 3 pila cada um. Andamos de volta ao portão curtindo Can I play with madness. O povo canta, dentro e fora do ginásio. Como já falei, ali fora está rolando uma festa.

10h. De volta ao portão constatamos que aumentou o número de pessoas na pressão. Nos localizamos ali na linha de frente. O esperado é que aconteça uma confusão para aproveitarmos a distração dos seguranças e entrar de qualquer jeito. Mais um cigarrinho e vejo que tem um cara me olhando fixo. Faço um aceno. Ele vem na minha direção e pergunta: “tu não tava no Rolling Stones em Copacabana?”. Meu Deu!, isso é pergunta que se faça na frente do show do Iron? “Claro”. “Então é tu que aparece nas minhas filmagens. Te lembra, um bando de Colorados?”. Como não vou me lembrar!!! Numa das esquinas de Copacabana estávamos todos com o manto vermelho e chega um cara filmando. Fizemos uma zona. O cara filmando era ele. Ficamos amigos de cara. Júnior é o seu nome. Ficamos falando sobre shows que fomos na vida: Stones, Ramones, Rush, Kiss, Metallica, Sepultura, Eric Clapton, Roger Waters. O próximo é o Ozzy, afinal, todos crescemos ouvindo Black Sabbath. “Como eu queria ouvir Run to the hills”, fala o amigo. E não dá outra. Parece brincadeira. O pessoal da grade canta a todo pulmão, como se as paredes do ginásio não existissem. Júnior mostra um álbum de fotos que ele tirou quando o Iron veio em 92. O cara estava muito perto do palco e ainda guarda o ingresso. Inveja, branca, mas inveja.

10h30, mais ou menos. “ÔÔÔÔÔÔ ÔÔÔÔÔÔÔ”, Fear of the dark. A galera enlouquece. Os seguranças parecem apavorados e já alisam os cacetetes. Chegou a hora que tanto esperávamos. O pessoal começa a balançar a grade. Tudo pronto. Olho para trás e vejo uma horda, mais ou menos umas 100 pessoas, correndo em direção ao portão. Estoura a confusão. Correria, pancadaria, latas e garrafas voando, o chefe dos seguranças passa ao meu lado falando no rádio: “pode mandar os cavalos! Pode mandar os cavalos!”. Pego a Mirela e vamos para o lado contrário da multidão. Alguns seguranças passam por mim. “Estou só protegendo minha guria”. E vamos ficando. Quando acalmam-se um pouco os ânimos a grade está noutro lugar e nós estamos.... DENTRO!!!

Já não sei mais que hora. “E agora Mirela?”. “Vamos entrar com confiança”. Ela vai falar com um dos seguranças. “Isso não é comigo, mas se quiser chega lá na portaria e vê se eles deixam”. Nos damos as mãos e vamos indo, duros como pedra. Com certeza não demonstramos confiança porque somos barrados. “Vocês têm ingresso?”. “Pô, falta só umas duas músicas, não custa nada liberar, só nós dois....”. Temos que falar com o coordenador. Uma das moças sai e fala com um brutamonte quatro vezes o meu tamanho. Já estou até imaginando os sopapos que vou levar pela minha audácia. Ele se vira para nós. A cara da Mirela é realmente de dar pena. Ele faz um gesto com a mão tipo “vai, vai”. Cara, entramos no show!!!!! Vamos rápido para as arquibancadas. Lá estão eles, voltando para o bis. Enlouquecemos ao som de Iron Maiden, a música, Hallowed be thy name e outras que levaram a mais uma meia hora de show.

Depois de tudo. Com o sorriso nas orelhas sentamos na arquibancada para fumar mais um cigarrinho. Não acredito que deu tudo certo. No fundo toca a trilha sonora do filme A vida de Bryan: “Always look on the bright side of the life”. Nada mais justo. Nessa noite curtimos o verdadeiro lado bom da vida. O lado ROCK’N’ROLL!!!!!

quarta-feira, março 05, 2008

Só uma pergunta

Quem vocês acham que é o filho da puta: a camponesa que corta um eucalipto eu busca de terra para plantar, ou o senhor Paulo Mendes, que manda espancar e atirar balas de borracha nas mulheres e crianças?

terça-feira, março 04, 2008

Inversão dos fatos pela versão

A manchete é: “Reforço policial é esperado em fazenda invadida em Rosário do Sul”.
E o sub-título: “Mulheres da Via Campesina trancam acesso à Tarumã”

O corpo da matéria só fala em mulheres e crianças. A fazenda Tarumã é de propriedade da empresa finlandesa Stora Enso. Possui 2,2 mil hectares, todos destinados à plantação de eucalipto. Segundo a assessoria de imprensa da Stora Enso, eles possuem 120 empregados. Óbvio que são empregos temporários. Quando os manifestantes da Via Campesina chegaram, só havia um caseiro e nada mais.
Com essas informações, me pergunto: é necessária a ida do sub-comandante da gloriosa Brigada Militar, Paulo Mendes, para coordenar as tropas na desocupação da fazenda? Lembrem-se, são mulheres e crianças. Que tipo de resistência elas podem oferecer?
Outra pergunta: quantas famílias conseguem vivem em 2,2 mil hectares? Ah, só mais uma: por que colocar um release da Stora Enso numa matéria sobre invasão de fazendas?

segunda-feira, março 03, 2008

A importância do tráfico de drogas

Perdoem-me os leitores pela semana de folga, mas as comemorações pela formatura foram extremamente intensas. O cérebro ficou nadando em substâncias paralisantes e não funcionou para nada. Quer dizer, quase nada. Andei pensando em algumas coisas aparentemente absurdas, mas nem tanto.
Por exemplo, cheguei à conclusão de que o tráfico de drogas nas favelas do Brasil é o que sustenta a turma dos carros importados. Não, não os estou acusando de fazerem parte das máfias e cartéis. Sequer cogito que tenham qualquer contato com os traficantes. Só digo que acho uma grande ignorância deles ficarem reverberando na TV e jornais que “os bandidos do tráfico têm que ir para a cadeia”, ou que “temos que acabar de vez com o problema das drogas”.
Imaginem que a polícia realmente consiga acabar com o tráfico de drogas. Pelo menos 80% do dinheiro que circula nas vilas pára de entrar. Não existe emprego para os jovens. Não existe escola para os jovens, e as que existem não estão nem um pouco preocupadas com a sua formação. O que acontecerá?
Os “bandidos” traficantes, que ficam tranqüilos nas vielas dos morros, sustentando o vício das classes altas, serão obrigados a mudar de ramo. Para continuarem comprando seus Nikes e freqüentando os restaurantes caros dos shoppings terão que roubar. As primeiras vítimas serão o bem mais valioso da elite: os carros importados. Depois virão suas casas, escritórios, bancos, lojas, e, quem sabe, até os shoppings.
Os formadores de opinião virão para a imprensa pedir “mais polícia”, “mais repressão”, e daí teremos mais violência, mais presídios. Cada vez menos escolas, menos emprego, menos consideração pelos seres humanos. Ou seja, uma guerra pior do que esta que já existe.
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O PROBLEMA DO BRASIL NÃO É CRIMINALIDADE, É CULTURA!
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P.s.: Este texto não é uma defesa do tráfico de drogas. É apenas uma constatação muito louca de uma cabeça doentia. Mas é verdade, não é?

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Piadas que se acham sérias

Como eu tenho um certo tempo livre, gosto de brincar um pouco na internet. Uma das coisas que mais me diverte é olhar os blogs e sites da direita. Algumas coisas são fantásticas. O site da Veja, então, é um prato cheio para uma manhã feliz. Essa semana começa pela própria capa da revista, com sua manchete “Já vai tarde” sobre Fidel. Um dos grandes momentos do jornalismo isento. Que tal a introdução da matéria:

“O ditador entrega o comando direto do país ao irmão, abre caminho para mudanças mas fica ainda como um fantasma assombrando o povo e preservando sua tenebrosa herança.”

Que momento da Veja. E eles realmente se levam a sério. Mas a melhor parte do site é mesmo a seção de colunistas. O Diogo Mainardi todos conhecemos. Mas dessa vez ele se superou: conseguiu fazer uma auto-tiração de onda:

“É mais uma figura grotesca que some da nossa frente. Depois de renunciar ao mandato, ele quer se dedicar apenas ao seu trabalho como colunista da imprensa. É o lugar ideal para ele: o colunismo está cheio de zumbis. Quer um blog, Fidel?”

Já estou até imaginando Fidel e Mainardi lado a lado numa página de jornal. Seria fascinante. O Fidel com toda aquela calma, falando sobre suas teorias e o Mainardi esperneando, xingando a torto e direito para arrancar aplausos da zona sul carioca.
Agora, eu que sou ignorante, descobri o melhor de todos: Reinaldo Azevedo. Esse cara vai me render pelo menos uma semana de boas risadas. Que tal essa pérola:

“Mas, afinal, o que é que uma minoria sectária e “piscopateta” tanto odeia em nós? Coerência intelectual, vergonha na cara, decoro, senso de justiça — qualidades estas que não podem conviver com o stalinismo remanescente ou com o jornalismo dos mascates, tocadores de tuba, ratazanas, “dualéticos”, isentistas e porta-sacos do oficialismo.”

Já falei que sou ignorante. Fico a me perguntar o que seria um “jornalismo dos mascates, tocadores de tuba, ratazanas, “dualéticos”, isentistas e porta-sacos do oficialismo”. Eu, que estou iniciando na profissão, deveria me inspirar mais nessas pessoas. Apesar de escrever esse tipo de coisa totalmente sem sentido eles arrancam aplausos da turma dos carros importados. Talvez seja por isso que vivemos nesse clima de esterilidade pós-moderna. Para eles, todos os artistas e intelectuais são comunistas comedores de criancinhas. Quem presta mesmo é James C. Hunter, autor de “O monge e o executivo”. Sugiro para os que seguirem meus passos e resolverem dar uma olhadinha por lá que leiam os comentários. Só pérolas. Amanhã coloco algumas aqui no blog. Esse texto já ficou comprido demais. Hasta Luego!!!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Tudo igual

“Admitir que as pessoas estejam obtendo o que desejam através da imprensa é admitir, também, que os homens e mulheres que a dirigem conheçam algo a respeito do povo. Eles, porém, nada sabem acerca do povo. (...) E a razão de não poderem fazê-lo é existir o que se chamam classes. As classes superiores não compreendem as inferiores; são incapazes de compreendê-las. Todo detalhezinho de sua educação os afasta da possibilidade de compreendê-las. A mass media é formada por um grupo de pessoas que estão à procura de dinheiro e poder. A razão não está no fato de terem elas qualquer noção moral, qualquer noção interior de um objetivo, de um ideal pelo qual seja digno lutar, morrer, se se é suficientemente destemido. Não, a razão por que desejam o poder é por ser este o único meio de aliviá-las da profunda doença que as atacou. Que atacou a todos nós. A doença do século XX. Não há espaço psíquico para todos nós. A lei de Malthus passou da procriação excessiva de corpos para a mediocrização excessiva de almas. As mortes não ocorrem nos campos de batalha ou devido à desnutrição; ocorrem no cérebro, na própria alma.”

O texto acima é parte da resposta de Norman Mailer a uma pergunta de Paul Krassner sobre a mídia de massa. A entrevista faz parte da coletânea de textos Cartas abertas ao presidente, de Mailer, que foi lançada em 1964. Por acaso mudou alguma coisa?

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ah, as manchetes...

“Se não tem o que falar, fica quieto”. Quantas vezes ouvi isso da minha mãe.....
Pois é, mas parece que o pessoal que trabalha ali na Avenida Ipiranga / Érico Veríssimo não ouviu. Só para variar, uma manchete fantástica no site do jornal:

“Governo silencia sobre sucessão após renúncia de Fidel”

Primeira frase:

“As fontes governamentais e a imprensa cubana fazem silêncio absoluto sobre quem será o novo chefe de Estado um dia após o anúncio de que Fidel Castro não deseja ser eleito presidente no próximo domingo, quando o Parlamento estiver reunido”. Nesta frase, duas constatações:

1. Não houve renúncia. Fidel anunciou que não deseja ser eleito presidente.
2. A eleição é domingo. Como eles vão saber quem vai ser o presidente?

Se não tinham nenhuma manchete para dar sobre a saída de Fidel, que ficassem quietos. Só mais uma coisinha. Que estranho, eleições em Cuba. E a ditadura, onde fica?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Como fabricar uma manchete mentirosa

As palavras são traiçoeiras. Resumir um fato numa frase pode parecer simples, mas é um drama com o qual nós, jornalistas, nos debatemos todos os dias. Cada órgão de imprensa tem a sua visão sobre a realidade, e isso fica claro na maneira como constroem suas manchetes.
Ontem, o Comandante Fidel anunciou que não aceitará ser reconduzido ao poder pela Assembléia do Poder Popular de Cuba, que se reúne no próximo dia 24. Ele falou em renúncia? Não. Mas até aí tudo bem, podemos encarar o fato como uma renúncia.
No entanto, a comparação a que me proponho tem a ver com os desdobramentos do anúncio. Comparem as duas manchetes a seguir:

“Chávez diz que renúncia de Fidel é prova de ‘desprendimento’”

“Chávez resiste em reconhecer aposentadoria de Fidel”

A primeira é da BBC e a segunda da Zero Hora. Ambas foram baseadas no mesmo discurso do presidente venezuelano. O que Chávez quis dizer é que Fidel não renunciou às suas obrigações perante a Revolução Cubana, simplesmente tem consciência de que não pode seguir com suas obrigações de presidente devido ao seu estado de saúde. O texto da reportagem de Zero Hora é claro sobre isso. E por que a manchete “Chávez resiste em reconhecer aposentadoria de Fidel”? O próprio texto a contradiz.
O texto e a manchete da BBC, por outro lado, estão em plena coerência. Pegaram o inusitado, que seria o “desprendimento” (sim, chega a ser engraçado falar de desprendimento depois de meio século de liderança), e desenvolveram o texto com base nessa declaração.
O entendimento de Chávez é o mesmo que expus no segundo parágrafo deste texto: Fidel não renunciou. Um manchete justa, se quisessem dar o mesmo enfoque da Zero Hora, seria: “Chávez diz que Fidel não renunciou”. Mas sabemos que a Zero Hora faz parte da direita troglodita. Inventam manchetes para desmoralizar a esquerda latino-americana. Assim, acabam brigando com a notícia.
Aí estão os links para que os leitores façam sua própria comparação:

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Mundo&newsID=a1771653.xml

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080220_fidelvenezuela_cj_ac.shtml

terça-feira, fevereiro 19, 2008

La mensaje del comandante en jefe

Bem, amigos, enfim chegou o momento. Eric Hobsbawm já havia previsto que o Século XX só terminaria quando Fidel deixasse o poder em Cuba. Agora nos resta saber até quando Raul Castro conseguirá segurar a situação. Muita coisa vai acontecer na ilha que é a pedra no sapato dos EUA. Mas o Comandante já avisou que vai estar olhando tudo de perto....

Transcrevemos aqui o documento histórico.

"Queridos compatriotas:

Prometi na última sexta-feira, 15 de fevereiro, que a próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. Este artigo adquire esta forma de mensagem.Chegou o momento de postular e eleger o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário. Desempenhei o honroso cargo de presidente por muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto libre, direto e secreto de mais de 95% dos cidadãos com direito de voto. A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro do mesmo ano e elegeu o Conselho de Estado e a sua Presidência. Antes, exerci o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo. Conhecendo o meu estado crítico de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado, em 31 de julho de 2006, que deixei nas mãos do primeiro-vice-presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O próprio Raúl, que ainda ocupa o cargo de Ministro das Forças Armadas Revolucionárias por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do Partido e do Estado, foram resistentes a considerar-me afastado de meus cargos, apesar de meu precário estado de saúde. Era incômoda minha posição frente a um adversário que fez de tudo para se desfazer de mim, e em nada me agradava comprazê-lo. Mais adiante pude alcançar novamente o domínio total da minha mente, a possibilidade de ler e meditar muito, obrigado pelo repouso. Me acompanharam as forças físicas suficientes para escrever por muitas horas, as quais compartilhei com a reabilitação e os programas pertinentes de recuperação. Um elementar sentido comum me indicava que esta atividade estava ao meu alcance. Por outro lado, me preocupo sempre, ao falar da minha saúde, em evitar ilusões que no caso de um desenlace adverso, trariam notícias traumáticas ao nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo, psicológica e politicamente, para minha ausência, era minha primeira obrigação após tantos anos de luta. Nunca deixei de assinalar que não se tratava de uma recuperação "isenta de riscos". Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último sopro. É o que posso oferecer. "A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger recentemente como membro do Parlamento, em cujo seio devem ser adotados acordos importantes para nossa Revolução, comunico que não aspirarei e nem aceitarei - repito - não aspirarei e nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-chefe." Em breves cartas dirigidas a Randy Alonso, diretor do programa 'Mesa Redonda' da televisão nacional, que foram divulgadas por minha solicitação, foram incluídos discretamente elementos da mensagem que hoje escrevo, e nem sequer o destinatário das mensagens conhecia meu propósito. Confiei em Randy porque o conheci bem quando ele era estudante universitário de Jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos alunos, que já eram conhecidos como o coração do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se abrigavam. Hoje, todo o país é uma imensa universidade.

Parágrafos selecionados da carta enviada a Randy em 17 de dezembro de 2007:

"Minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana - que possui uma média educacional próxima de 12 graus, quase um milhão de pessoas com ensino superior completo e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem nenhuma discriminação - requerem mais soluções para cada problema concreto do que as contidas em um tabuleiro de xadrez. Nenhum detalhe pode ser ignorado, e não se trata de um caminho fácil, se é que a inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária prevalece sobre seus instintos. Meu dever elementar não é me perpetuar em cargos, ou impedir a passagem de pessoas mais jovens, mas fornecer experiências e idéias cujo modesto valor provém da época excepcional que pude viver. Penso como (Oscar) Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final".

Carta de 8 de janeiro de 2008:

"Sou decididamente partidário do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi o que nos permitiu evitar as tendências de copiar o que vinha dos países do antigo bloco socialista, entre elas a figura de um candidato único, tão solitário e ao mesmo tempo tão solidário com Cuba. Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialismo, graças à qual pudemos continuar o caminho escolhido. Tinha muito presente que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho. Trairia minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total quando não estou em condições físicas de oferecer isso. Explico sem dramaticidade. Felizmente nosso processo conta ainda com quadros da velha-guarda, junto a outros que eram muito jovens quando começou a primeira etapa da Revolução. Alguns quase crianças se incorporaram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória o país. Contam com autoridade e experiência para garantir a substituição. Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução. O caminho sempre será difícil e exigirá o esforço inteligente de todos. Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologética, ou da autoflagelação como antítese. É preciso se preparar sempre para a pior das hipóteses. Ser tão prudentes no êxito quanto firmes na adversidade é um princípio que não pode ser esquecido. O adversário a derrotar é extremamente forte, mas o mantivemos longe durante meio século. Não me despeço de vocês. Desejo apenas lutar como um soldado das idéias. Continuarei a escrever sob o título 'Reflexões do companheiro Fidel'. Será mais uma arma do arsenal com o qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso.

Obrigado

Fidel Castro Ruz

18 de fevereiro de 2008"

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Filosofia na Rua da Praia

Estava eu andando à deriva pela Rua da Praia, quando encontro meu amigo Jorge. Este jovem senhor, para sobreviver, vende refrigerante e cerveja no Gasômetro e no Beira Rio em dias de jogo. O Jorge anda preocupado com as coisas que acontecem na nossa sociedade. Ficamos umas boas horas falando ali, de pé na calçada, sobre os mais variados temas. Quer dizer, fiquei ouvindo, porque o cara é bom de discurso.

Violência: “Se tu vai lá na vila onde eu moro, ninguém vai mexer contigo. E se acontecer alguma coisa, alguém roubar um morador ou uma visita, o chefe do lugar intima o vagabundo. Ou ele se aquieta e não rouba mais, ou some. Eu me sinto seguro lá. Já aqui no Centro, andando entre universitários, jornalistas, como o amigo, advogados, engenheiros, a nata da sociedade, eu sou achacado pelo próprio Estado. Não foi uma nem duas vezes que os brigadianos ROUBARAM, isso mesmo, ROUBARAM a minha caixa de isopor, que é o meu ganha-pão. E os universitários e cidadãos todos lá, olhando. Ninguém levantou a voz ou fez qualquer coisa para me defender....”

Filosofia política: “O Estado Democrático de Direito, que é esse que nós temos, só serve para sustentar a exploração que vemos por aí. É um Estado criado pelas pessoas que ocupam as mais altas camadas da sociedade, que obviamente não querem perder o seu privilégio. É um modelo de Estado que oprime o cidadão que sustenta toda a máquina. Já o Estado de Filosofia e Direitos dos Cidadãos (invenção dele) é um estágio onde não existirá a subordinação de um cidadão perante o outro. Meu direito será tão sagrado quanto o direito de Doutores e Senhores....”

Universidade: “Esses jovens que se formam nos bancos da Ufrgs, ou qualquer universidade, não têm a menor noção do que se passa no mundo real. Não conseguem desenvolver um raciocínio em termos de Sociologia, de Filosofia. A questão básica é que 80% da população vive na favela, ou nas vilas, como preferem chamar, e eles continuam achando que o mundo real é aquele que se vê na TV, nos jornais. Da vila só sabem que é lugar de vagabundo, ou onde mora o seu Zé, porteiro do prédio...”

Acho que já chega. Dá para imaginar a figura que é o seu Jorge. Mais uma vez fica a lição de que a verdade está nas ruas, no contato com as pessoas. O povão é quem vive a realidade do País, quem estiver longe do povo está longe do real. Essa é a lição que nós não podemos esquecer nunca.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Nação Lakota

Touro Sentado

“We are no longer citizens of the United States. We offer citizenship to anyone provided they renounce their U.S. citizenship”.

Essas são palavras de Russell Means, líder dos índios Lakotas, mais conhecidos como os Sioux, dos Estados Unidos. Desde dezembro, a proclamada Nação Lakota ocupa em torno de 200 mil Km² entre os estados de Nebraska, Dakota do Norte e do Sul, Montana e Wyoming. Em pronunciamento na Plymouth Congregational Church em Washington, no dia 19 de dezembro de 2007, os líderes Lakotas consideraram nulos os mais de 33 tratados assinados com os Estados Unidos ainda no Século XIX. Russell segue assim a tradição de grandes líderes, como Touro Sentado, Cavalo Doido e Nuvem Vermelha. Segundo eles, o governo norte-americano promove um verdadeiro genocídio (mais um...) em relação ao seu povo. A expectativa de vida de um homem Lakota é de apenas 44 anos e 97% da sua população vive abaixo da linha da pobreza. A mortalidade infantil é 300% maior que no resto do país. 85% das pessoas estão desempregadas. Um terço das casas não tem água tratada e 40% delas não tem eletricidade. O alcoolismo e o uso de drogas pesadas afeta 8 em cada 10 famílias.
Este é apenas mais um capítulo da luta que consome a comunidade indígena de todas as Américas. Nós, e digo “nós” porque me refiro a todos os brancos, não temos a menor consideração e respeito pelos povos que são os verdadeiros donos desse chão. Os índios de todas as etnias vivem em condições sub-humanas. Tive o privilégio de conviver um tempo com os Kaingangues da área indígena da Guarita. Apesar de sua cultura ter sido quase completamente aniquilada por mais de 200 anos de exploração, eles seguem na luta para preservar seus costumes e tradições. Um luta árdua e sem perspectivas de vitória, a não ser que tomemos consciência da verdadeira história do nosso continente.


Este é o livro para entender um pouco mais sobre os índios norte-americanos

Ps.: Este artigo foi escrito com informações da revista Caros Amigos, Agência AFP e Finalcall.com News.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Waterboarding

Os Estados Unidos sempre surpreendem. Pois eis que este belo país, potência e guia inegável do mundo ocidental, está em vias de, neste ano de 2008, abolir a forma de tortura chamada “waterboarding”. O “mergulhão”, como é mais conhecido por aqui, consiste em simular o afogamento do interrogado em um tanque ou jogando água pelas narinas. Segundo consta, esse é o método predileto dos agentes da CIA para obter as confissões de terroristas.
Mas os Estados Unidos, como nação avançada que é, votou em seu Senado o fim dessa prática de tortura. Foram 51 votos contra o “waterboarding” e 45 a favor. Só tem um probleminha a ser resolvido: assessores do presidente Bush o aconselharam a vetar o projeto. Provavelmente entre eles deve estar um tal de Michael Mukasey, Secretário de Justiça, que considera a simulação de afogamento como uma forma normal de interrogatório.

Um dia desses a gente (Brasil) chega lá. Enquanto isso, como é bom termos os gloriosos irmãos do norte como guias espirituais.....

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Devaneios....

Devaneios sobre notícias e constatações:

- Água é mais cara que gasolina. Pare num posto e entre na loja de conveniência. 500ml de água custam R$1,50, ou seja R$3 o litro. A gasolina está entre R$2,40 e R$2,50.

- Lucro recorde dos bancos é pago por você. A maior parte da receita dos bancos vem dos juros cobrados sobre empréstimos para pessoas físicas e jurídicas. Itaú e Bradesco lucraram em torno de 8 bilhões de reais em 2007. Alguém imagina quanto dinheiro seja isso? Ah, e garanto que os bancários farão novamente protestos contra os salários impróprios que recebem. Ou seja, essa grana toda some na mão de uma meia dúzia.

- Terroristas serão julgados. Os terroristas responsáveis pelos ataques às Torres Gêmeas serão julgados nos EUA. Depois de uma temporada de 5 anos em Guantánamo, tudo o que a acusação conseguiu de provas foi a confissão dos supostos terroristas. Claro, nem passa pela nossa cabeça que os rapazes tenham sido torturados....

- A NET tem um 0800. Sim, a maldita empresa de telefone/TV/internet só anuncia seu número pago, o famigerado 4004blábláblá. Mas eles são obrigados por lei a ter um número de graça para os clientes. E, pasmem, o atendimento é rapidinho. Claro, no 0800 são eles quem pagam a conta, não o idiota do assinante. Anote aí:
NET Tv e Fone - 08007210029
NET Vírtua - 08007010358

- Safra recorde. O IBGE projeta uma safra recorde de grãos para o Brasil, o que alarga o sorriso dos políticos e ruralistas. As regiões que tiveram maior aumento foram Centro-oeste, Norte e Nordeste. O que fica entre eles? Um prêmio para quem acertar....
.
Só para terminar: você já pensou que aquele guri que te pede uma moedinha pode realmente estar com fome?

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Balanço das férias

Voltei. Foi uma semana que valeu por um mês. Pelo menos o dinheiro gasto foi por aí...., mas foi muito bem gasto. Dessa experiência surgem algumas constatações:
- Santa Catarina, apesar de todos seus problemas, é um estado que está anos-luz à frente do Rio Grande do Sul. Talvez seja o clima de Floripa, onde tudo fica melhor e mais fácil, mas a impressão é que as pessoas trabalham porque gostam. Ganhar o suficiente para viver uma boa vida é o suficiente. O que me faz pensar que precisamos urgentemente limpar o Guaíba. Quem sabe assim os porto-alegrenses começam a se preocupar menos com a acumulação, passar a perna nos outros, dinheiro, condomínios fechados e carros importados.
- O Rock'n'Roll não morreu. Existe um grande movimento independente que, apesar de todo o boicote da imprensa, faz as pedras rolarem Brasil afora. Temos alguns heróis, alguns vilões, mas no geral a coisa tende a dar certo. É preciso criarmos redes para que esse sentimento se desenvolva. Este blog (menos) e a Rádio Web Putzgrila (mais) são, ou pretendem ser, ferramentas para isso.
- A natureza deve ser defendida de toda e qualquer maneira. Se você é daqueles que pensam "deus me livre me meter no mato", saiba que ainda existem pessoas que gostam de tomar banho de cachoeira, respirar o cheiro das ervas, ouvir os pássaros e animais.
Uma viagem sempre muda a vida, algumas mais, outras menos. Seu Cossio continua Seu Cossio, mas com muita coisa a mais.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Folga

Era isso. Uma semana de pernas pro ar.
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Não me procurem, não vai adiantar.....

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Crossfire

Amigos, preciso dizer, mais uma vez, que a banda Crossfire é a melhor de todas. E não é só porque eles são o melhor guitarrista, o melhor baixista, o melhor vocalista e o melhor baterista. A banda é fantástica porque eles fazem o som com emoção, eles realmente curtem aquilo que estão tocando.
Graças a deus ontem tivemos mais uma amostra dessa maravilha, no bar Help. Por falar nisso, muito boa essa nova casa de Porto Alegre; bom ambiente, boa música, bebida gelada, mas, e tem sempre um mas, R$ 5 a cerveja continua sendo um absurdo. Se eles cobrassem R$ 3 o povo beberia até não agüentar mais e eles aumentariam o faturamento.
Bom, mas o que importa é Rock’n’Roll, e ontem ouvimos só do bom: Led Zeppelin, Jethro Tull, Black Sabbath, Deep Purple, AC/DC, Metallica..... Ufa! Acho que dá para imaginar, né?
Dançamos, gritamos, bebemos e fumamos até ficar nesse estado que estou agora. Acabado, mas feliz.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Tesão

Jornalismo se faz com tesão.
E ontem senti um dos maiores da minha vida. Estou falando do programa Histórias do Rock, na Rádio Web Putzgrila (clica aí do lado). Fiquei duas horas falando sobre álcool e Rock, com músicas que faziam alguma referência à bebida.
Por lá passaram entre 40 e 50 ouvintes. Pode parecer pouco para quem imagina uma audiência de milhões de pessoas, mas isso não tem absolutamente nada a ver. Me emocionei, mesmo, com as manifestações do público. As pessoas pareciam estar realmente curtindo o som e as histórias. Com isso, o programa foi ficando cada vez melhor (na minha opinião) e minha empolgação cada vez maior.
Não posso prometer muita coisa, mas uma é certa: tudo o que eu faço, faço com tesão.

terça-feira, janeiro 29, 2008

....

Um pouco de poesia. Antiga, mas sempre nova...
.
.
Deslizando sobre as escamas da cobra
Tomo distância do meu coração
E não há bálsamo ou fragrâncias
Que diminuam a dor da saudade

Vida que anseia pela tua voz
Depois de longo pouco tempo
Tenho em tuas mão a lembrança
Do toque suave de tua pele
E do teu sorriso sincero que ilumina meu peito
Perdido no breu da solidão.

Amor, me espere que sempre voltarei
Teu colo é minha verdadeira morada
E só em teus lábios posso respirar
O ar puro da vida que encontrei.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

EXTRA, EXTRA, EXTRA

Essa eu não podia deixar passar. Do site da BBC:

Califórnia vende maconha em máquinas automáticas

A partir desta segunda-feira, moradores da Califórnia autorizados a consumir maconha por razões médicas poderão comprar a erva em máquinas de venda automáticas, semelhantes às máquinas que vendem refrigerantes, chocolates ou salgadinhos.
.
Que tal uma dessas aqui em POA?

A mentira chama crescimento

O Brasil está crescendo.

Essa afirmativa pode até ser verdade para os olhos da burocracia oficial, dos empresários e dos especuladores do mercado financeiro. Para mim, e acredito que para mais algumas pessoas, o Brasil está encolhendo.
Daqui a alguns anos a Amazônia não será mais a maior floresta do mundo, o Rio Grande do Sul não será mais produtor de carne, São Paulo voltará a viver do comércio de cana de açúcar, o Pantanal será uma plantação de soja e o Nordeste, bem, o Nordeste continuará a viver de seca e turismo sexual. A cada dia aumenta o número de favelados, de desabrigados, de sem-terra. Os escravos devem se submeter a extenuantes jornadas de trabalho para preservar seu emprego de salário mínimo. Nosso sistema educacional é uma maravilha que gera 63% de analfabetos funcionais em toda a população. Os jovens entram no mundo do crime para comprar um Nike ou levar a namorada a um passeio pelo shopping. Corruptos assumem cargos públicos sem o menor constrangimento.

O Brasil está crescendo?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Coisas do Beira Rio...

Histórias acontecem sem querer.
Ontem fomos ver o glorioso Sport Club Internacional estrear no Gigante da Beira Rio. Temperatura agradável para a prática do esporte (no meu caso halterocopismo), torcida animada e bom futebol. O pobre do Veranópolis bem que tentou colocar os onze jogadores dentro do gol, mas nem assim resistiram ao Colorado que, numa jogada em que Nilmar driblou toda a zaga e cruzou, Iarley arrematou de cabeça para as redes.
A alegria só não foi completa porque olhei para os lados e não estavam lá os tradicionais companheiros de jogo, Fran e Fred, que agora moram longe, longe....
Mas fora essa falta, estavam todos lá. O pessoal da MA.CA.CO., o chatão bêbado como sempre, os cambistas “arquibancada e cadeira” e, é claro, o “chocolate, limão e uva”. Estava também um outro companheiro que, assim como nós, assiste ao jogo sempre no mesmo lugar. Sempre, todos os jogos, o que acabou por nos tornar conhecidos. Aquela coisa de “e aí, como é que está o amigo” e nada mais. Ontem ele estava com o filho e a turma completou-se com o Diego Gaita.
Eis que com a alegria dos dois a zero saímos para tomar uma bira juntos no Mac Aurio, enquanto a criança comia um burguer. Conversa vai, conversa vem, e não sei por que cargas d’água o cara, que agora já é Rodrigo, mais conhecido como Camarão, larga a seguinte pérola: “o Fughetti Luz foi meu pai de criação”. Quase me babei todo com a cerveja. Para quem não sabe, o Fughetti foi um dos pioneiros do Rock aqui no Rio Grande. Alguma coisa tipo o que o Raul Seixas foi para a Bahia. Suas bandas Liverpool e Bixo da Seda são cultuadas por todos aqueles que sabem apreciar o bom Rock’n’Roll. Pergunto por onde anda o cara. “Ele está morando num sítio lá em Tapes. Faz tempo que a gente não vai lá comer um churrasco, né filhão?”. “Pior, já to com saudades dele”.
Aí fico pensando, será que só eu me emociono com esse tipo de coisa? O Camarão ainda me conta que viajou o Brasil inteiro com o Bixo da Seda, que conhece todos os grandes rockers, que fez muita festa com os caras....
Para resumir: de conhecido, o Camarão passou a ser considerado um grande amigo.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Vergonha

Um dos maiores mitos da teoria capitalista é o de que qualquer pessoa pode vencer pelos seus próprios esforços. Vencer, para eles, significa acumular bens. Quem não consegue ter sua casa, seu carro, seus eletrodomésticos, a esposa que enche o saco, quinze dias de férias e um trabalho escravo durante o ano todo é porque não tem capacidade. São os restos sobre os quais não há nada o que fazer. Coisas da meritocracia...
Proponho, então, que os amigos pensem um pouco sobre o mundo que nos cerca. Em todas as cidades, e aqui em Porto Alegre principalmente, vemos os chamados “homens-mula”. Imaginem a vida desse cidadão. Ele acorda antes do sol nascer, em um barraco de compensado e brasilit, talvez com uma parede de tijolo (que agora está barato). Não tem vaso sanitário, não tem pia. Ele nem sonha com escovas de dente. Do lado de fora, onde está o seu carrinho, o esgoto escorre a céu aberto. Sua mulher grávida e os três filhos amontoados na mesma cama que há pouco ele também estava. Esse cidadão, de pés descalços, começa a percorrer as ruas da cidade em busca do lixo dos vencedores. O asfalto começa a esquentar com o andar da manhã. Nada de comida, até que encontra um “macaquinho” na cerca de um prédio. Arroz e massa frios. São, pelo menos, três viagens até o galpão que recolhe o lixo, carregando algumas centenas de quilos nas costas. Esse cidadão volta pra casa já de noite com um saco de arroz e um de feijão. Não, ele não comprou, ganhou de uma velhinha que ficou com pena dele.
Mais ou menos nessa mesma hora chega em casa o representante da classe dos carros importados. Ele voltou de um coquetel com empresários regado a uísque 18 anos. Seu dia foi recheado de reuniões importantes. Hoje fecharam uma das unidades de produção da fábrica. Com o dólar baixo não vale a pena exportar. A mulher está vendo TV, o filho no computador. Ninguém parece se importar com sua chegada. Ele vai até o bar e serve mais uma dose. Senta no seu sofá de couro e liga o rádio. O locutor reverbera: “é uma vergonha a quantidade de carroças nas ruas da cidade. O trânsito fica lento, as fezes dos cavalos poluem o ar...”. O jovem executivo concorda: “esse país é uma vergonha”.
Pois é, no fim todos concordamos.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Notícias e notícias

Amigos e amigas, essa notícia é fantástica: Seu Barriga vai perder a barriga!
Sim, é isso mesmo. O ator Edgar Vivar, que interpreta o famoso personagem do Chaves submeteu-se a uma cirurgia para emagrecer. E, vejam o que é o avanço da medicina, ele instalou um “marcapasso gástrico” (seja lá o que isso significa) para atingir o seu objetivo. Ou seja, o gordinho quer virar galã.

Realmente, o mundo das celebridades é muito interessante. O portal do MSN, por exemplo, traz notícias altamente relevantes para esse meu dia. “Filho de Christina Aguilera é circuncidado”, por exemplo, é uma delas. Imagino o glorioso jornalista que foi deslocado para o hospital a fim de acompanhar o procedimento. Este é um cidadão que honra a nossa profissão. Jornalismo investigativo de primeira.

Enquanto isso, no mundo real, a fazenda do traficante Abadia foi vendida para um empresário pela metade do valor que foi avaliada. Para quem não entende muito bem o que é concentração de terra este é um bom exemplo: um cidadão comprou um terreno capaz de abrigar 300 famílias.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Entrevista psicótica - IV

Durante o último fim de semana fui aos copos, como diriam nossos patrícios portugueses. Eis que chego em casa completamente embriagado, junto com os primeiros raios da manhã de domingo, e presencio mais uma daquelas cenas alucinógenas que costumam acontecer na sala do Apartamento 2. Depois de mijar no vaso e redondezas vou para o rádio e coloco qualquer coisa, que no caso é Janis Joplin. Sento no sofá para aproveitar a incrível sensação de helicóptero que o uísque proporciona ao meu cérebro. Eis que, quando penso em tomar mais um gole de qualquer coisa alguém me estende uma garrafa de Southern Comfort. É ela, a gordinha-mor do Rock’n’Roll sentada ao meu lado. Mesmo alcoolizado meu instinto jornalístico fala mais alto e realizo ali mais uma entrevista pasicótica.

DEVANEIOS: Janis, andei lendo uma biografia sua, escrita por Myra Friedman....
JANIS: Pois é, coitada.... Deixa eu te explicar umas coisas. A Myra era uma garotinha muito careta, daquelas famílias tradicionais de judeus dos Estados Unidos. Ela não gostava de beber, não gostava de usar drogas e... bem, acho que tinha uma queda por mim, já que nunca vi ela com nenhum cara. Imagina! Naquele tempo a gente transava como coelho, não tínhamos essas doenças que vocês têm agora. Bem, de qualquer forma isso explica um pouco sobre o livro que ela escreveu. Na verdade eu era uma garota normal daqueles muito loucos anos 60 e era ELA quem não conseguia se ajustar. Talvez tenha descontado isso falando que a Janis isso, a Janis aquilo, mas não tem nada a ver. Eu não era uma maníaca sexual e só dava festas como todos davam naquela época.
DEVANEIOS: E a sua visita ao Brasil? Parece que você gostou aqui da nossa terrinha.
JANIS: Há, foi maravilhoso!!! Fui com o David Niehaus e fizemos muita festa no Rio de Janeiro e em Salvador. Encontrei até um maluco que tinha conhecido nos Estados Unidos.... como é mesmo o nome dele...
DEVANEIOS: Serguei?
JANIS: Isso, isso! É o Serguei. Que figura, tava super a fim do David, mas não liberei. Pô, o cara tava me comendo e eu não podia perder assim para um cara!
DEVANEIOS: Nós sabemos que você sempre foi mais do trago do que das drogas. Por que o vício em heroína?
JANIS: Tu já tomou nos canos?
DEVANEIOS: Não.
JANIS: Então não posso te explicar.
DEVANEIOS: E a sua relação com os Hells Angels?
JANIS: Aquela galera era muito louca. Imagina que em São Francisco o pessoal só pensava em ácido, maconha, e, lá de vez em quando, uma bolinha. Eu queria era ficar bêbada!!! Na época ninguém bebia mais que os Angels, então foi meio natural que eu me aproximasse deles. Eu só não gostava muito da violência, mas nunca fizeram nada contra mim ou meus amigos. Então, tudo tranqüilo.
DEVANEIOS: Você tinha também uma relação com o pessoal do Southern Comfort.
JANIS: Eles são maravilhosos!!! Tu acredita que me deram um casaco de peles só porque eu bebia o uísque deles no palco?

Tomai mais um gole e desmaiei. Acordei com uma puta ressaca e com a impressão de que foi tudo um sonho....

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Passaram dos limites

As pessoas podem ter a opinião que quiserem sobre o MST, mas esse governo está passando dos limites. As forças de “segurança” do Estado mobilizaram 700, isso mesmo, 700 policiais para uma ação de busca e apreensão no local onde era realizado o XXIV Encontro Estadual do movimento.

Setecentos policiais para não achar nada, em um encontro pacífico, de um movimento legítimo.

Vejo na imprensa que no próximo dia 22 de janeiro realizar-se-á o coquetel de lançamento do XXI Fórum da Liberdade. Sugiro ao governo que mande um efetivo ao Centro de Convenções do Iguatemi Corporate. Não precisa ser de 700 brigadianos. Pode ser uns cinco fiscais da Receita Federal e uns dez policiais federais. Os 700 brigadianos não conseguiram prender ninguém do MST. Garanto esses 15 que mencionei acima conseguem lotar uma carceragem da PF depois desse coquetel.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Só um pouquinho....

Jornalistas e prêmios Nobel não precisam pensar. O jornalista, uma vez que alcança tal status, apenas reproduz o que os outros falam, mesmo que sejam homéricas bobagens. Já os prêmios Nobel, foram investidos pela Academia Sueca de passe livre para falar qualquer coisa, o que acaba se tornando lei.
Ontem pude comprovar essa observação ao assistir o jornal “Em cima da hora”, do canal de notícias Globo News. A matéria versava sobre a possível recessão na economia norte-americana e seus reflexos no Brasil. Lá pelas tantas, o repórter Roberto Kovalick entrevista o ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2003, Robert Engle, para embasar e dar credibilidade à sua reportagem. E o que o senhor Engle responde sobre as possibilidades de recessão nos EUA?

“Existe 50% de chance de os Estados Unidos entrar em recessão em 2008”.

É, de fato, uma resposta incrível, principalmente se tratando do estudioso que inventou o “modelo econométrico”. Sugiro ao colega Kovalick que da próxima vez venha me entrevistar. Posso dizer: “É provável que a maior economia do mundo entre em recessão, mas também é provável que não aconteça nada”. Ou quem sabe “a economia dos Estados Unidos pode, ou não, entrar em recessão”.
É incrível, também, que o repórter leve ao ar tal bobagem sem nem mesmo questionar o “economista”.
Não sei se estou ficando muito ranzinza, mas esse tipo de reportagem dói no ouvido. Não custa nada pensar um pouquinho, só um pouquinho....

quarta-feira, janeiro 16, 2008

...

Ressaca..... janeiro..... maldito mês de formaturas..... parabéns cabecinha..... ai..... ai...... ai....... dói.... sono.... boca seca..... cérebro fundido..... merda fedida..... chega.....

terça-feira, janeiro 15, 2008

De pernas pro ar

Esse mundo anda mesmo de pernas pro ar, para citar Eduardo Galeano. Senão vejamos:

- A Amazônia é responsável pelo aumento das exportações de carne bovina; enquanto isso o pessoal quer plantar árvores aqui no nosso pampa.
- O pessoal dos carros importados quer cada vez mais dinheiro, e cada vez mais reclama que não pode sair às ruas com medo de ser assaltado.
- Os presídios estão cada vez mais lotados, a polícia cada vez mais violenta e a planta continua proibida de ser plantada.
- As estradas matam mais que as guerras, que o álcool, que o cigarro, e as propagandas prometem carros cada vez mais potentes e rápidos.

E, só para não me estender, vejo que o ursinho da Zero Hora abriu os olhos hoje. Graças a Deus deu certo o tratamento com cobertores e mamadeiras. O mundo de fato está cada vez melhor...... de pernas pro ar.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

"Eu gosto de tudo"

Se tem coisa que me deixa irritado é a seguinte resposta: “Eu gosto de tudo”.
Como assim “eu gosto de tudo”?
Todo mundo tem uma comida que não gosta. Eu, por exemplo, nunca botei uma berinjela na boca, e mesmo assim odeio berinjela. O mesmo acontece com mocotó. Mas sempre que surge o assunto comida alguém larga o famoso “eu gosto de tudo”.
No entanto, o pior não é o tudo culinário. O que me deixa puto da cara é o tudo musical. É absolutamente impossível gostar de todos os tipos de música. Quem abre a boca para falar “eu gosto de tudo” em relação à música é porque na verdade não gosta de música. Eu gosto de Rock, blues, um pouco de jazz, musica gaudéria, das roots, e era isso. Odeio pagode, samba, MPB, R&B, eletrônica, funk, sertanejo, blá, blá, blá. Mas, e este é o ponto a que quero chegar, respeito as pessoas que gostam desses estilos. Por exemplo, o cara chega e diz “eu sou pagodeiro”. Muito bem, vá ouvir o seu pagode. “Eu gosto de Chico Buarque”, não sei qual é o seu problema, mas vá lá, ouça o Chico o quanto quiser.
Então, por favor, pensem um pouco antes de dizer “eu gosto de tudo”. Sua personalidade depende disso.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aula de jornalismo

Eu sou um cara chato, muito chato.
Eis que começo meu dia olhando novamente os sites de notícia: Terra, BBC, Estadão, Folha, Correio do Povo, O Globo, Google News, iG, Reuters, etc, etc, etc, e todos, sem exceção, dão destaque para o resgate dos reféns das Farc intermediado pelo presidente Hugo Chávez. Não que a notícia seja nova, ela já está nos jornais, mas o fato gerou uma série de repercussões. Consideremos que, além de a notícia não ser assim tão fresquinha, tivemos o temporal desta manhã aqui em Porto Alegre. Milhares de pessoas sem luz, árvores caídas, alagamentos.
Isso posto, vamos para o site da Zero Hora. Como sempre, o orgulho do jornalismo gaúcho foge da mídia padronizada. Nada de cópia dos outros jornais ou sites da internet. Jornalismo de verdade, super-atualizado.

Primeira manchete: “120 mil pessoas estão sem luz na Região Metropolitana”. Justo, justíssimo.

Segunda manchete: “Parque do Planeta Atlântida passa por últimas vistorias”. É claro que um evento desses merece toda a cobertura, antes mesmo de acontecer.

Terceira manchete: “Jogadores vão às compras em Abu Dhabi”, e o lide “Renan aconselhou Marcão a não comprar videogame mais caro em shopping na capital dos Emirados”. Uma notícia de alta relevância para os torcedores Colorados.
(pulei a manchete “deles”)

Quarta manchete: “Na hora que beijei, só pensei na minha mãe”. O primeiro beijo do Big Brother, ocorrido há dois dias, é de fato um dos principais acontecimentos do Brasil.

Quinta manchete: “Lázaro e Taís têm noite de Top Model”. Importantíssimo, afinal o mundo da moda está todo voltado para o Fashion Rio.

Sexta manchete: “As múltiplas versões da caipirinha”. Impossível passar o verão sem um guia completo como esse.

Sétima manchete, a última, no pé da página: “Farc enviam prova de vida de reféns”.

Como vemos, a Zero Hora tem um nome a zelar. Não pode compactuar com a imprensa comunista do centro do país. Esse Chávez é mesmo um bandido que não merece atenção nas páginas de um jornal tão imparcial e criterioso como este.
Graças a Deus moramos no RS, o lar do Grupo RBS.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Uma ótima notícia

Todos têm uma rotina, por menor que seja, e a minha é dar uma olhada nos sites de notícia, já na primeira parte da manhã (minha manhã). Na verdade nem precisava tanto, todos falam a mesma coisa. Hoje por exemplo temos: eleições nos EUA, atentado no Paquistão, obras do Masp, Oi quer comprar a BrT, Lula quer aumentar impostos, Bush no Oriente médio, primeiro beijo do Big Brother, crise energética, etc, etc, etc.
Na caça de alguma notícia de verdade vou vasculhando o mundo digital. BBC, Reuters, Folha de São Paulo, Estadão, Jornal do Brasil, nada de interessante, uma cópia generalizada. Até que me deparo com Zero Hora, orgulho do jornalismo gaúcho, e encontro a seguinte manchete:

“Ursinho polar ganha cobertor”

Era tudo o que eu precisava. Parece-me que o mundo está mais tranqüilo agora. A humanidade tem salvação: só um ser elevado e de extrema sensibilidade daria um cobertor para um “ursinho” polar. Mas não é só isso, ele, que ainda não tem nome, ganha uma mamadeira a cada quatro horas.
Agora posso andar sem preocupação pelas ruas de Porto Alegre nesse tórrido verão. Nada vai abalar minha alegria. Os pedintes, os mendigos, as filas nos hospitais, os desempregados, as injustiças, nada disso tem importância, afinal, um “ursinho” polar vai sobreviver na Alemanha.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Eleições dos EUA

Estou emocionado com a corrida presidencial dos Estados Unidos. Já vejo os diretores de Hollywood escolhendo os atores que interpretarão Hillary e Obama no filme que será lançado no ano que vem. Um verdadeiro show de democracia, diriam os mais empolgados. E na verdade é isso mesmo, somente um show.
Todas as campanhas dos postulantes a escolhidos pelos partidos dependem de vultosas somas de dinheiro. Se escolhidos, triplica a necessidade de dólares para gerar convencimento nas massas. Porém, todo dinheiro tem um preço. É por isso que nenhum dos candidatos promete tirar os Marines do Iraque, ou reduzir as emissões de carbono, ou diminuir os subsídios à agricultura, principalmente às grandes empresas da cadeia do milho. É das pessoas que controlam esses setores que vem a grana para as campanhas, tanto de democratas quanto de republicanos. O dinheiro não tem bandeira, até porque os próprios partidos não têm.
Como é tudo um espetáculo que não vai fazer diferença nenhuma nas nossas vidas, além de encher páginas de jornal, torço para que ganhe o Obama. Pelo menos os racistas serão obrigados a aturar por quatro anos um negrão mandando na vida deles.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Veja (quanta merda)

A publicação de extrema-direita chamada Veja vem essa semana às bancas querendo impor coisas importantes para seus leitores. Já na capa consideram que “a vida passou a ser regulada por regras”. A matéria ensina em poucos passos a sermos felizes no casamento, no trabalho, a educar os filhos e, é claro, melhorar a vida sexual. Fico imaginando o que os médicos da Universidade de Harvard sabem sobre sexo. Sugiro aos leitores algo mais útil, como um Kama Sutra, por exemplo, ou quem sabe uma passadinha na Zil Vídeo.
Sobre o reconhecido e admirado arquiteto Oscar Niemeyer, a revista larga a seguinte nota: “mais uma do gênio oficial”. Como se só a burocracia petista o considerasse um gênio.
Para acabar, e não perder mais um minuto sequer analisando essa porcaria, Veja faz um paralelo entre José Bové e Norman Borlaug. O Bové todos conhecemos, é o bigodinho de Asterix que andou arrancando umas mudas de transgênicos aqui durante o Fórum Social Mundial. Já Norman Barlaug é o responsável pela chegada aqui nessas plagas do Raundup e outros quetais que a propaganda incucou nas cabeças fracas o nome de “revolução verde”. Ou seja, foi o responsável, aqui no nosso estado, por acabar com toda a diversidade das nossas florestas e transformar nossa terra em um monótono verde sem fim, sem variação, que toma banhos de veneno por avião e que não alimenta ninguém, a não ser porcos e vacas. Para a revista, Borlaug é revolucionário e Bové é reacionário.
Por favor, meus amigos, passem longe dessa revista. O que me tranqüiliza é que seus leitores são apenas o pessoal dos carros importados. É até bom que Veja seja seu parâmetro, assim é mais fácil de identificar os inimigos.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Bolsa de valores

Tenho sérias dúvidas sobre os movimentos da bolsa de valores. É óbvio que devem ser dúvidas idiotas, facilmente explicáveis por mentes mais esclarecidas.
Algumas empresas como a Gerdau, ou a Vale do Rio Doce, por exemplo, têm suas ações valorizadas dia após dia. Seus papéis fazem parte de qualquer carteira de investidor, pois representam uma segurança em face de negócios mais arriscados.
Aí vem a primeira pergunta: será que eles aumentam diariamente a sua produção de ferro e aço?
Bem, até aí tudo bem, até podemos supor que seja um aumento de valor verdadeiro. Vamos aos números. Uma ação Gerdau PN começou o ano de 2007 valendo R$35, e terminou em R$51. Digamos que um cidadão tivesse, em janeiro, 35 mil reais para investir e tenha comprado tudo em ações desse tipo. Em dezembro ele pode comemorar o recebimento de um salário mensal de R$1.333, ou uma bolada de R$16.000. Que feliz cidadão; em um ano ganhou um carro. Apesar de ser um bom investimento, os valores parecem ainda pequenos. Mas, se contarmos que a Gerdau S.A. tem 436 milhões de ações preferenciais, temos que a empresa rendeu R$6.976.000.000.000.
Será que existe esse número? Qual é o respaldo no mundo real que tem tamanha quantia?
O mercado financeiro opera em termos totalmente subjetivos. Digamos que a imprensa comece a divulgar notícias sobre a poluição que as siderúrgicas promovem, ou a insatisfação dos trabalhadores, ou, quem sabe, algum caso de corrupção dentro da empresa. As ações, com certeza, caem de valor, e todo aquele número estrondoso do parágrafo anterior simplesmente some, de um dia para o outro. Vemos que a empresa entra em crise sem ter reduzido um milímetro sequer de chapas de aço fundidas.
Mas é claro que isso não acontece. Essas grandes corporações têm um atuante e sempre atento sistema de relações públicas. Esse setor é tão importante quanto o chão de fábrica para o lucro da empresa. São eles que tratam do sistema subjetivo que transforma a Gerdau, por exemplo, em um dos “orgulhos do Brasil”. Como é que pode, uma empresa que só visa o lucro e o engorde das contas dos seus donos ser um dos “orgulhos do Brasil”?
Enquanto as pessoas aceitarem esse tipo de valor que não tem nada, absolutamente nada a ver com a realidade, continuaremos a viver entre números como 6.976.000.000.000..........

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Leituras


Agora que sou jornalista, tenho tempo de sobra para descobrir novas leituras. A mais recente é o livro Ó Jerusalém, de Larry Collins e Dominique Lapierre. A obra conta a história da formação do Estado do Israel e todos os conflitos que daí decorreram. Apenas uma pergunta ronda minha mente durante a leitura: por que ambos os povos precisam de um Estado religioso?



Na cabeceira da minha cama está O Sol é Para Todos, de Nelle Harper Lee. É uma obra autobiográfica na qual a autora conta parte de sua infância no Alabama. A história é meio água com açúcar, mas é importante para percebermos o quanto o racismo era (como se ainda não fosse...) forte nos Estados Unidos. Para quem não sabe, Harper Lee era amiga de infância de Truman Capote e foi sua assistente durante as pesquisas que resultaram no livro A Sangue Frio.

Já na mochila, está o Cartas Abertas ao Presidente, de Norman Mailer, uma verdadeira aula de jornalismo. Fora a tiração de onda e o humor cáustico que permeiam todos os ensaios do livro, Mailer faz constatações importantes sobre a imprensa. A certa altura ele afirma que os jornais deixaram de simplesmente mostrar os fatos e passaram a fabricar as notícias. Este fato, que muitos ainda não conseguem ver, já era evidenciado por ele em 1963.


Por fim, sigo com meus estudos anarquistas, agora com o clássico Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria, de Pierre-Joseph Proudhon. Estou ainda no início do Tomo I, mas já posso visualizar importantes questões, como a noção de valor e de força de trabalho. E assim encerro essa breve postagem literária:

“Toda a propriedade é um roubo”.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Pinheira

A Praia da Pinheira foi, mais uma vez, generosa com a turma. O circuito Camping do Tio Nico / Bar do Passarinho percorrido incontáveis vezes... vale um abraço para o garçom Mike, que além de agüentar os bêbados, se divertiu horrores na virada do ano.
Além de toda a alegria, a Pinheira também proporciona uma reflexão sobre nossa relação com o mundo. Atravessando o morro em direção ao sul, chega-se à Praia do Maço, um pequeno paraíso na Terra. Nada de luz ou civilização... bem, tem o boteco, mas isso de tão fundamental não pode ser considerado.
O que quero dizer é que ali temos uma vaga noção de que não somos absolutamente nada para o mundo. Nós, seres humanos, somos passageiros. O planeta ficará para sempre, apesar de todo nosso esforço para destruí-lo. Precisamos de muito pouco para viver: um teto, peixes, violão, amigos e cerveja. Para quê serve toda essa evolução da humanidade, que não fez nada além de nos deixar dependentes de nós mesmos? Seremos eternos escravos das invenções dos homens? Teremos que viver para sempre presos ao trabalho, ao dinheiro, à cidade e à poluição?
São essas perguntas que atormentam a volta à “civilização”. Não tenho respostas, e provavelmente nunca terei. Mas já seria bom se todos pudessem chegar a essas questões.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Natal

Natal: todos os sentidos numa única figura.

Sacou?

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Janis Joplin

Só quem é rocker entende o mundo do Rock’n’Roll. Estou com a biografia da Janis Joplin, escrita por Myra Friedman, em mãos e posso dizer tranqüilamente: é uma merda.
Em um trecho ela se mostra chocada com uma festa promovida pela Janis, em que todos estavam bêbados, e assim ficaram durante todo o fim de semana. Aquelas coisas normais, tipo gente vomitando no pátio, casais trepando nos quartos, desmaios, drogas, violão, viagens, enfim, uma festa.
Imagina se essa Myra chega a passar um fim de semana lá em casa?
Janis merecia uma biografia escrita por uma pessoa que soubesse do que está falando. A autora constantemente afirma que Janis, de certa maneira, procurava a morte. Muito pelo contrário. Como ela mesmo dizia, queria era aproveitar a vida no seu máximo. Claro que isso pode ser destrutivo, principalmente pelas influências nefastas que rondam o mundo da música. Mas daí a dizer que Janis era uma pobre coitada que não sabia o que estava fazendo tem uma grande diferença.
Grandes gênios são pessoas conturbadas. O que seria de nós, pobres mortais, se o “Triunvirato do Rock” (Janis / Morrison / Hendrix) não tivesse feito tudo o que fez?
Janis Joplin tinha sonhos, como todos nós: queria ser amada, queria ser livre e feliz. A mim parece que quem os busca com mais afinco corre mais riscos.
Vale a pena? Claro que sim!!!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Vida

A vida não pode ser levada a sério.
No fim das contas é tudo uma grande comédia romântica......

terça-feira, dezembro 18, 2007

Lembrança de velhos tempos

Uma noite de poucas horas, muitos sons......
Uma noite de poucas falas, muitos copos.....

Um balcão tão solitário quanto uma casa cheia de gente vazia. Rádios que estão sempre na mesma e já não conseguem aliviar o peso de uma existência absurda.
Bebida e fumaça.
Sim, talvez eles possam.
O mundo gira aqui dentro. Foda-se o olhar de nojo da guria. Tenho vômitos para ela. Um gozo, quem sabe. Vem comigo.
Não, não faz essa cara feia. É tudo assim mesmo, o lixo sempre volta. Te lembra: “não tenho mãe”. Que injustiça, é tudo culpa minha.
Deita. Tira a roupa, bêbada. Então vai embora. Vira; abre; põe.
Deu. Agora pode ir. Não, não, não, não..... não quero nem saber. Um abraço. Quer dinheiro pro táxi?
“Me liga?”.
Não. “Claro”. Entra logo nesse carro e me deixa dormir.

Até que tudo comece outra vez....................

segunda-feira, dezembro 17, 2007

É tudo mentira

Antes de começar qualquer análise absurda sobre o absurdo que é o cotidiano, quero fazer de público um agradecimento aos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. É com o seu dinheiro que o pessoal roqueiro poderá ver o Iron Maiden aqui em Porto Alegre. Quem sabe, como revanche, a Igreja Católica não investe numa turnê do AC/DC?

Agora, falando sério, parece que a crítica publicada neste blog, apesar de restrita, reflete um sentimento geral da população. A imprensa mente e defende os interesses do patrão e seus companheiros empresários. Isso é o que acreditam 80% dos brasileiros, segundo a BBC.
O excesso de confiança dos meios de comunicação parece estar traindo seus objetivos. Perseu Abramo já havia previsto que a imprensa não pode manipular toda informação, o tempo todo. O povo sabe quando o que lê não condiz em nada com a realidade. O povo de verdade, porque o pessoal dos carros importados vive tal fantasia que acredita em tudo o que passa na TV ou aparece na ZMentira. Aí está um paralelo: jornal feito no ar condicionado para pessoas que vivem no ar condicionado.
As ruas são totalmente diferentes das páginas dos jornais. O povo gosta dos camelôs e dos gerentes de firma. O povo sente pena dos mendigos e das crianças de rua. O povo odeia a polícia e os carros que andam de janelas fechadas. O povo respeita o cidadão que pilota uma carroça ou carrega seu próprio carrinho.
Eu não acredito em uma linha do que aparece no jornal. Temos que desconfiar de tudo. Quer saber o que está acontecendo de verdade? Dê uma voltinha no centro e pare nos botecos: ali está a notícia.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

A política é uma merda

A política é mesmo uma atividade viciada. Não existe pensamento progressista ou ações que possam beneficiar realmente a população dentro desse esquema.
Saio da Ufrgs neste fim de ano e me sinto apto a falar sobre a política estudantil. Assim como os profissionais, os aprendizes universitários não querem saber de questões ideológicas e filosóficas. O cara que luta por um restaurante na Esef e propagandeia que essa é sua grande conquista é exatamente igual ao político que acha que fez grande coisa quando consegue aprovar uma emenda para a construção de uma estrada, ou para compra de ambulâncias, ou para, quem sabe, a construção de um restaurante....
As “lutas” são midiáticas. Na época do aumento das passagens de ônibus fazem um show de protesto e depois fica tudo na mesma. Os empresários tinham que ter medo dos estudantes, mas sabem que uma vez terminada aquela apresentação são eles que mandam. As papeleiras estão destruindo o nosso estado e os militantes não fazem nada, talvez um “ato”, ou uma passeata. Assim não tem como mobilizar a comunidade.
Claro, o importante é o restaurante a R$ 1,30 para o pessoal da classe média. As pessoas que fazem sopa de papelão sob um viaduto a 100 metros do DCE representam uma “questão estrutural”.
Enquanto a política institucional continuar existindo nada vai mudar. Cada vez mais concordo com a frase estampada na minha camiseta dos tempos de punk: “só seremos livres no dia em que o último político for enforcado nas tripas do último padre”.
Faça-se o caos. Contribua:
- plante cannabis na rua;
- tome canha na calçada com os mendigos;
- não ande de carro;
- visite a firma e troque uma idéia com o gerente;
- plante uma árvore;
- cuspa num político;
- irrite a polícia;
..............

quarta-feira, dezembro 12, 2007

O bom dos EUA

Depois de muita reflexão na tentativa de evitar preconceitos, cheguei à conclusão de que os Estados Unidos contribuíram para a humanidade em duas áreas fundamentais. E nesses quesitos eles são imbatíveis, insuperáveis, verdadeira super-potência. Acompanhem o raciocínio.
Na esfera econômica, é notório que são os predadores do mundo. Necessitam de mortes para manter seu sistema de consumismo desenfreado. Morte num sentido amplo, lato sensu. Morte de pessoas, da natureza, de países, de seus próprios cidadãos. Morte da razão, do bom senso, do respeito. Tudo é dinheiro, e por ele vale qualquer coisa. Vale invadir um país, roubar todos seus recursos e deixar a população morrer à míngua. Vale incentivar guerras para vender armamento. Vale devastar florestas e, é claro, a camada de ozônio que se dane.
A política estadunidense é uma farsa. “Democracia” com dois partidos que defendem exatamente os mesmos interesses, que piada. E ainda querem exportar esse modelo para todo o mundo. A mídia se encarrega da propaganda através de filmes, noticiários, enlatados, revistas, histórias para crianças. Corações e mentes do mundo anestesiados, sem poder de reflexão contra um sistema que já se provou completamente contra a natureza da vida.
Mas, como vinha dizendo, lá existem duas coisas boas: Jack Daniel’s e Rock’n’Roll. Nisso eles são imbatíveis. O resto é bobagem, coisa de norte-americano.
Por que simplesmente não ignoramos aquele país? Já temos discos de Elvis, Berry, Lewis, Richard, Hendrix, Morrison, Joplin, Stanley, etc. Só nos resta importar uma quantidade absurda de uísque e esquecer do resto. Deixemos Bush, Clinton e Cia. Ltda. falando sozinhos, se achando importantes, enquanto enchemos a cara ouvindo Rock. E quando eles quiserem invadir algum lugar, que o mundo diga:
“Baixa a bola americano otário!!!!!”

terça-feira, dezembro 11, 2007

Todos iguais

O pessoal da Assembléia Legislativa aqui do Rio Grande não perde tempo. Mantinham dois celulares no caixa da Tia Carmem. Consta que um outro estava numa das firmas aqui da cidade. Nada mais justo, afinal de contas eu também gosto de sexo, drogas e Rock’n’Roll. Na verdade eu não sei se eles gostam de Rock, mas.....
Vale notar que até pouco tempo nossa imprensa considerava os políticos do RS os últimos defensores da ética e da moral. Bem, parece que alguma coisa aconteceu. Como num passe de mágica, esses senhores viram-se envolvidos em falcatruas de selos, carteiras de motorista e celulares.
Até agora ninguém caiu, mas tudo indica que logo vem uma CPI capaz de atingir até mesmo a Dona Yeda. É claro que, ao contrário do presidente Lula, ela não sabia, nem sabe, de nada. É claro que a “quadrilha” e os “bandidos” do PT são muito mais perigosos que o pessoal do PP e do PMDB gaúcho. Talvez seja por conta dessas obviedades que nossos jornalistas andam quietos perante toda essa situação.
Ontem vi o filme O jardineiro fiel. Guardadas as proporções, fico imaginando a pressão das empresas de papel para a demissões na Secretaria de Meio Ambiente e Fepam. Quanto dinheiro rolou para as altas esferas do governo?

Tudo isso para dizer que o nosso estado é uma bosta tão grande quanto o resto do país. Temos corrupção, trabalho escravo, devastação das florestas, falcatruas empresariais, enfim, tudo o que tanto nos esforçamos por criticar.
O blog Devaneios na Calada prega o caos contra todo esse sistema. Subverta: seja uma boa pessoa.
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P.s.: Hoje tem Histórias do Rock especial Legião Urbana na Rádio PutzGrila, a partir das 20h.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Ingressos

Quiosque do Raul - Psicodália 2007


Vem chegando o fim do ano e as lembranças de que existem quatro dias em fevereiro de puro Rock’n’Roll voltam à mente. Falo do grande festival Psicodália.
Na próxima edição, a atração principal será a clássica banda Casa das Máquinas. Nem sabia que os caras ainda estavam na ativa. Particularmente, acho que vai ser melhor que o Sérgio Dias do ano passado. Vejo pela programação que terei também o prazer de rever ótimas bandas como O Sebbo e Casa de Orates.
Só estou com um grande problema: o site do festival não funciona e os cartazes não dizem onde vendem os ingressos aqui em Porto Alegre. Alguém tem uma luz? Alô? Klaus?
Por falar em ingresso, já tem uma puta fila na frente do Opinião para comprar as entradas pro Iron Maiden. O foda é que são R$100. E isso é dinheiro para pelo menos duas festas para alcoólatra nenhum botar defeito. Eis que chega um colega e ilumina um pouco minha dúvida: a Maria Rita era R$150. Vamos todos ao Iron.
E hoje tem o Led Zeppelin. Alguém vai?

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Papelão do artista em Porto Alegre

Porto Alegre viu a peça publicitária travestida de “jornalismo” na capa de Zero Hora de ontem. O uísque Passport trouxe o artista inglês Julian Beever, conhecido pelas suas pinturas de rua, para desenhar uma garrafa em 3D sobre uma cidade.
Eles só não contavam com o seguinte: a pintura ficou uma merda. Primeiro porque o local escolhido não tinha nada a ver com o desenho. Colocaram umas pranchas de compensado sobre a terra da Redenção. O cara é um artista de rua. Seria natural que o colocassem para pintar na rua.
Quando fui ver a “obra”, as madeiras já estavam envergadas, sem contar com a lona sobre o painel, que deixava tudo escuro. O comentário geral de quem se atrevia a parar para olhar era: “mas que merda!”.
Pois é, não deu certo..... Garanto que o carinha que pinta igrejas e motivos religiosos a giz na Rua da Praia vale muito mais a pena ser visto. Mas é claro que o jornalismo publicitário não podia queimar o cara. Honestidade não é o forte da imprensa, principalmente quando o negócio envolve dinheiro. Se eles mentem em coisas assim, totalmente sem importância, imaginem nas coisas sérias.

P.s.: A propósito, o superintendente da Polícia Federal no RS, Ildo Gasparetto, em entrevista a este jornalista e seus colegas para a Rádio da Universidade, largou a seguinte pérola sobre as algemas nos figurões: “quando a PF prendia ladrão de galinha, ‘subversivos’, e traficantezinhos, ninguém reclamava. Agora que estamos pegando as pessoas que roubam de verdade o povo brasileiro, eles reclamam que somos ‘muito rígidos’. Por favor...”

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Maratona etílica

Aí pessoal, voltei.
A ausência deveu-se à intensa maratona etílica empreendida em comemoração ao fim das atividades acadêmicas do seu Cossio.
Muita coisa aconteceu nesse pouco tempo: pizza (de novo) no Senado, Corinthians na segunda divisão (eu torci pro Inter contra o Goiás, a culpa não foi minha), Chávez derrotado no referendo (quem pode chama-lo de ditador?), e mais as coisas de sempre, desmatamento, corrupção, escravidão, etc......
Só para avisar que estou vivo. Amanhã voltamos com a crônicas do dia a dia.